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A antiga “Cidade da Pedra”, a 910 metros no norte de Minas, encanta com arquitetura europeia e o mistério de um diamante lendário

Por Maura Pereira
30/abr/2026
Em Geral
A antiga “Cidade da Pedra”, a 910 metros no norte de Minas, encanta com arquitetura europeia e o mistério de um diamante lendário

Grão Mogol destaca-se pela arquitetura vernacular onde as pedras da região foram usadas na construção de casas e ruas inteiras. / Imagem Ilustrativa

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Esculpido no paredão da Serra do Espinhaço, o Presépio Natural Mãos de Deus ocupa 3.600 m² em Grão Mogol, conhecida como a “Cidade da Pedra” é a antiga capital do garimpo de diamantes no norte mineiro.

Um recorde cravado na rocha da Serra do Espinhaço

O Presépio Natural Mãos de Deus foi inaugurado em 9 de dezembro de 2011 e é considerado o maior presépio permanente a céu aberto do mundo. A obra ocupa 3.600 m² no topo da serra, com cenas da natividade integradas ao paredão de quartzito da Cordilheira do Espinhaço.

São 15 esculturas em tamanho natural, parte em pedra-sabão e parte em cimento, distribuídas em oito estações que narram do anúncio do anjo Gabriel à manjedoura. Cada peça em pedra-sabão pesa entre 700 e 800 kg. Detalhes da obra estão no portal da Arquidiocese de Montes Claros.

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Viva a essência de Grão Mogol: trilhas mágicas na Serra do Espinhaço, vinhos artesanais e presépio gigante que encantam a alma. // Créditos: Wikipédia

Quem foi o homem que doou o monumento à cidade?

O empresário Lúcio Marcos Bemquerer nasceu em Grão Mogol e voltou à cidade depois de duas décadas vivendo fora. Do quintal de uma casa centenária, viu no amontoado de rochas da serra um presépio pronto, formado pela própria paisagem.

Ele comprou o terreno, instalou acessos, gradil e piso, e contratou os escultores mineiros Antônio da Silva Reis, de Contagem, e Edson Novais, de Ouro Preto. Em 2018, doou tudo à Arquidiocese de Montes Claros, que mantém o espaço aberto o ano inteiro. Bemquerer morreu em 2021, mas chegou a receber uma carta do Papa Francisco abençoando a obra.

Por que Grão Mogol é chamada de Cidade da Pedra?

Ruas inteiras pavimentadas em quartzito empilhado e casas de paredes brutas dão ao centro um ar de vila medieval europeia. O conjunto arquitetônico foi tombado em 2016 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), garantindo a preservação das construções erguidas no século XIX.

O destino aparece entre as Melhores Vilas Turísticas do Brasil indicadas pela ONU Turismo, segundo a Agência Minas. Quem caminha pela Rua Direita ainda encontra os chamados sóis maçônicos, pedras dispostas em formato de sol em frente às casas onde moravam membros da maçonaria do século XIX.

O norte mineiro esconde tesouros históricos entre montanhas. O vídeo é do canal Portal Aventuras, com 10 mil inscritos, e detalha o charme histórico e as belezas naturais de Grão Mogol. Portal Aventuras é referência em destinos.

O que ver entre o centro histórico e o parque estadual?

As atrações se concentram em distâncias curtas e podem ser combinadas em um fim de semana. Boa parte do roteiro acontece a pé pelo casario tombado.

  • Igreja Matriz de Santo Antônio: erguida na segunda metade do século XIX inteiramente em pedra, está entre as 10 igrejas imperdíveis de Minas Gerais.
  • Trilha do Barão: cerca de 8 km de calçamento de pedra construído por mão de obra escravizada, atravessa a serra com paisagens abertas.
  • Parque Estadual de Grão Mogol: 143 km de perímetro gerido pelo Instituto Estadual de Florestas, com chapadas, cachoeiras, sempre-vivas e rios perenes.
  • Cachoeira do Inferno: queda d’água em meio ao cerrado de altitude, dentro do parque estadual.
  • Casa de Cultura: construção em pedra no centro, com acervo sobre o ciclo do diamante e a história do garimpo.

Os sabores do norte de Minas e o vinho da serra

A gastronomia segue a tradição sertaneja com carnes curadas, raízes e queijos artesanais. A novidade é o enoturismo, segmento recente que surpreende quem associa a região apenas ao cerrado.

  • Galinha caipira com quiabo: preparo de fogão a lenha, servido com arroz, angu e couve refogada.
  • Queijo artesanal do norte de Minas: produzido nas fazendas do entorno, com sabor mais intenso que o das regiões tradicionais mineiras.
  • Carne de sol com mandioca: herança do sertão, frita no azeite de coco da região.
  • Vinhos da Vinícola Vale do Gongo: produção local de uvas Merlot, destaque do enoturismo na Serra Geral.
Cidade histórica na Cordilheira do Espinhaço com Parque Estadual, cachoeiras, igrejas coloniais e enoturismo. // Créditos: Wikipédia

Quando ir para aproveitar a serra mineira?

O clima é tropical semiárido de altitude, com noites frescas o ano inteiro. A estação seca é a mais procurada, com céu limpo e temperaturas amenas para trilhas longas.

☀️ Verão
Dez – Fev
19-29°C
Média
É a melhor época para ver as cachoeiras com volume cheio, embora as chuvas altas exijam atenção redobrada nas trilhas.
🌊 Águas Fortes
🍂 Outono
Mar – Mai
17-27°C
Média
Com chuvas moderadas e temperaturas agradáveis, o período é ideal para explorar trilhas e o centro histórico.
🌦️ Clima Ameno
🧣 Inverno
Jun – Ago
12-25°C
Média
Aproveite a baixa pluviosidade para o enoturismo e admirar o céu estrelado, além de visitar os presépios locais.
✨ Céu Limpo
🌸 Primavera
Set – Nov
17-30°C
Média
Um espetáculo visual com os campos rupestres em flor. As temperaturas sobem, preparando a chegada do verão.
🌿 Florada

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à cidade da pedra?

Grão Mogol fica a 560 km de Belo Horizonte, pelo trajeto BR-040 até Curvelo, BR-135 até Montes Claros e mais 140 km pela BR-251. O aeroporto mais próximo é o de Montes Claros, a 148 km, com voos diretos das principais capitais. A estrada final atravessa paisagens de transição entre cerrado e caatinga.

Vá conhecer o presépio que Bemquerer entregou à Serra

Grão Mogol guarda uma combinação rara: passado de garimpo, casario inteiro de pedra e um monumento religioso esculpido na própria cordilheira. Poucos lugares do Brasil oferecem tanta história e silêncio em distâncias tão curtas.

Você precisa subir a serra e ver de perto o presépio que transformou a Cordilheira do Espinhaço em palco de oito estações da natividade.

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