A cidade de Porto Murtinho começa a viver uma transformação com o avanço das obras do Corredor Rodoviário Bioceânico. O projeto promete mudar o papel estratégico do município na ligação do Brasil com mercados internacionais.
Como as obras da Rota Bioceânica avançam em Porto Murtinho?
O cenário da cidade fronteiriça passou a ser dominado por máquinas, guindastes e trabalhadores, que atuam em várias frentes para viabilizar o acesso à ponte internacional. A região, antes vista como fim de estrada, passa a ganhar importância logística.
A expectativa é que a cidade se torne uma porta de saída para exportações brasileiras rumo ao Pacífico, conectando rotas terrestres entre países da América do Sul e facilitando o transporte de cargas.
Qual a estrutura do novo viaduto?
Um dos principais destaques da obra é o viaduto com mais de 700 metros de extensão, que começa a receber vigas estruturais para a instalação das pré-lajes. Em alguns trechos, as lajes já foram concretadas e entram na fase de acabamento.
Além da estrutura elevada, as equipes também avançam nas obras de drenagem, essenciais para garantir o escoamento das águas e preservar a estabilidade da pista ao longo do tempo.
Como a ponte internacional conecta Brasil e Paraguai?
A obra faz parte do conjunto de acessos à Ponte Internacional Porto Murtinho–Carmelo Peralta, que atravessará o Rio Paraguai e ligará o Brasil à cidade paraguaia de Carmelo Peralta.
Com previsão de entrega para agosto deste ano, a ponte permitirá o fluxo direto de veículos e mercadorias entre os dois países, sendo considerada um dos marcos mais importantes da rota bioceânica. Veja abaixo as características da ponte:
Qual o impacto da Rota Bioceânica no tempo das exportações?
O projeto logístico vai conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando um caminho terrestre até portos do Oceano Pacífico. A nova rota pode reduzir significativamente o tempo de transporte até a Ásia. Entre os principais benefícios previstos para o comércio internacional estão:
- Redução de cerca de 9,7 mil quilômetros no trajeto marítimo das exportações
- Diminuição de até 17 dias no tempo de viagem de cargas
- Maior competitividade para produtos brasileiros no mercado asiático
- Integração logística entre países da América do Sul
Com isso, o corredor pode se tornar uma das rotas mais estratégicas para o escoamento da produção do Centro-Oeste brasileiro.
Quais os investimentos e andamento das obras no Brasil?
As obras no lado brasileiro são executadas pelo Consórcio PDC Fronteira com investimento de R$ 572 milhões do Novo PAC, sob supervisão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
Segundo o órgão, os acessos à ponte já atingiram cerca de 31,7% de execução, enquanto a restauração e ampliação da rodovia entre os quilômetros 577,8 e 678,1 alcançaram 59,7% de conclusão, com investimento de R$ 254 milhões. Veja imagens do andamento das obras no vídeo divulgado pelo perfil Paraguai da Gente, via Instagram:
Como as obras avançam no Paraguai?
Enquanto o Brasil avança nas estruturas de acesso, o Paraguai também executa obras importantes para garantir a continuidade da rota. A pavimentação da Picada 500, extensão da rodovia PY-15, segue em andamento.
O trecho possui cerca de 224 quilômetros e conecta Carmelo Peralta até Pozo Hondo, no departamento de Boquerón. Essa ligação será fundamental para consolidar o corredor terrestre até o Pacífico.