Um novo avanço em bioengenharia de materiais está transformando o cimento em um sistema capaz de armazenar energia elétrica, criando as chamadas paredes-bateria com bactérias vivas integradas à estrutura.
O que é o cimento com bactérias e como ele funciona?
O chamado cimento vivo é um material híbrido que combina cimento tradicional com microrganismos eletroativos, formando uma estrutura capaz de armazenar e liberar energia. O conceito transforma paredes em parte ativa de sistemas elétricos.
Pesquisadores da University of Aarhus e da Chongqing Jiaotong University utilizaram a bactéria Shewanella oneidensis, que mantém sua atividade eletroquímica dentro da matriz sólida do cimento.
Como as bactérias são incorporadas ao cimento estrutural?
O processo começa com o cultivo controlado das bactérias em laboratório, garantindo sua atividade eletroquímica antes da mistura com o cimento. Em seguida, elas são preparadas para integração ao material.
As etapas incluem a diluição em água deionizada e a adição ao cimento Portland com sulfato de sódio, que atua como eletrólito, permitindo a condução de elétrons dentro da estrutura. Antes da mistura final, o cimento seco é homogeneizado e depois combinado à suspensão bacteriana, criando uma pasta uniforme que será moldada e curada. Veja detalhes dessa tecnologia no vídeo divulgado pelo canal ‘O Canal da Engenharia’, no YouTube:
Quanto energia o cimento vivo pode armazenar e gerar?
Segundo estudo publicado na revista Cell Reports Physical Science, o material alcança uma densidade energética de 178,7 Wh/kg, permitindo armazenamento e liberação de energia em ciclos repetidos.
Em termos práticos, essa capacidade pode alimentar cerca de 44 lâmpadas LED por uma hora, demonstrando o potencial do sistema como solução estrutural energética. Veja os detalhes do projeto:
Quais são as vantagens e aplicações futuras do cimento vivo?
O maior diferencial do material é unir construção civil e armazenamento de energia, permitindo que edifícios funcionem como baterias integradas à infraestrutura urbana. Antes de avançar para aplicações reais, os pesquisadores destacam alguns potenciais usos futuros:
- Edifícios autossuficientes energeticamente
- Integração com energias renováveis urbanas
- Armazenamento de energia em paredes e fundações
- Redução da dependência de baterias convencionais
Quais são os desafios e o que ainda falta para uso real?
Apesar dos resultados promissores, o cimento vivo ainda é uma prova de conceito experimental, sem aplicação industrial em larga escala. Os testes foram realizados em ambiente controlado.
Mesmo com boa durabilidade, ainda existem desafios como escalabilidade, custo de produção e estabilidade biológica a longo prazo, que precisam ser resolvidos antes da adoção comercial. Ainda assim, o sistema demonstrou resistência a variações entre -15°C e 33°C e manteve até 85% da capacidade energética após 10 mil ciclos, indicando potencial real de evolução tecnológica.