A sensação é de voar. Quem entra nos rios de Bonito, no Mato Grosso do Sul, flutua sobre cardumes de piraputangas e curimbatás como se a água simplesmente não existisse. A cidade de 22 mil habitantes, a 290 km de Campo Grande, transformou o turismo sustentável em marca registrada e virou referência mundial em preservação como destino de ecoturismo.
Por que as águas de Bonito são tão transparentes?
A resposta está no solo. A Serra da Bodoquena, que margeia o município, é formada por maciços de calcário. A rocha funciona como um filtro natural: dissolve impurezas e deposita carbonato de cálcio no leito dos rios, o que decanta partículas e deixa a água cristalina. O resultado são rios com visibilidade de até 60 m, onde é possível enxergar cada detalhe da vida subaquática.
Esse fenômeno geológico também explica a existência de grutas, dolinas e lagos subterrâneos na região. A dissolução lenta da rocha ao longo de milhões de anos esculpiu cavernas que hoje figuram entre as maiores atrações do país.
O que fazer em uma cidade com mais de 40 passeios na natureza?
Bonito oferece mais de 40 atrações distribuídas entre flutuações, grutas, cachoeiras e trilhas. Os passeios acontecem em propriedades privadas e parques, sempre com guia credenciado e número limitado de visitantes. A lista abaixo reúne os mais procurados.
- Gruta do Lago Azul: cartão-postal da cidade, tombada pelo IPHAN desde 1978. São quase 300 degraus até um lago subterrâneo cuja profundidade real ninguém conhece, já que mergulhadores chegaram apenas a 87 m. Fósseis de preguiças gigantes e tigres-dentes-de-sabre foram encontrados no fundo.
- Rio Sucuri: considerado um dos rios mais cristalinos do mundo. A flutuação de 1,8 km acompanha nascentes de água tão límpida que peixes parecem nadar no ar.
- Recanto Ecológico Rio da Prata: flutuação de 2,2 km por dois rios, com trilha por mata ciliar e almoço em fogão a lenha na fazenda. Premiado internacionalmente por turismo responsável.
- Abismo Anhumas: descida de rapel de 72 m até um lago subterrâneo repleto de cones calcários. Uma das experiências mais radicais do ecoturismo brasileiro.
- Buraco das Araras: dolina de 100 m de profundidade habitada por araras-vermelhas. O melhor horário para observação é ao amanhecer, quando os casais deixam o ninho.
- Cachoeira Boca da Onça: a maior queda d’água do Mato Grosso do Sul, com 156 m de altura. A trilha passa por outras sete cachoeiras antes de chegar à principal.
A Secretaria de Turismo de Bonito mantém informações atualizadas sobre todos os atrativos.
Bonito é o destino definitivo para quem busca águas cristalinas e natureza preservada no Mato Grosso do Sul. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com mais de 73 mil inscritos, e detalha 20 atrativos imperdíveis, como a Gruta do Lago Azul, o Rio Sucuri e o impressionante Abismo Anhumas:
O voucher único que virou modelo para o mundo
Desde 1995, Bonito adota o sistema de Voucher Único, que limita o número diário de visitantes em cada atrativo. Todo passeio precisa ser reservado com antecedência por meio de agências locais credenciadas. Os preços são tabelados, os horários fixos e os grupos pequenos.
O modelo inspirou outros destinos brasileiros, como Fernando de Noronha e Chapada dos Veadeiros. Bonito também recebeu o prêmio de Turismo Responsável da World Travel Market (WTM), em Londres, pelo equilíbrio entre visitação e preservação. Segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, a cidade foi eleita 14 vezes o melhor destino de ecoturismo do país pela revista Viagem e Turismo.
O que se come entre uma flutuação e outra?
A culinária de Bonito mistura tradição pantaneira com sabores do cerrado. Muitos atrativos servem almoço na própria fazenda, em fogão a lenha.
- Caldo de piranha: servido quente, é considerado o prato de boas-vindas da região.
- Pintado na brasa: peixe nobre do Pantanal, grelhado inteiro e acompanhado de mandioca.
- Doce de leite artesanal: produzido nas fazendas da região, é vendido em potes e virou souvenir obrigatório.
- Jacaré à moda pantaneira: carne magra, de sabor suave, servida empanada ou em espetinhos.
No centro da cidade, a rua principal concentra restaurantes que vão do regional ao contemporâneo.
Quando a água fica mais cristalina em Bonito?
As estações dividem a experiência. No inverno seco, a visibilidade dos rios atinge o máximo. No verão chuvoso, as cachoeiras ganham volume e a vegetação fica ainda mais verde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital do ecoturismo brasileiro?
Bonito fica a 290 km de Campo Grande pela BR-060 e MS-382, cerca de 3h30 de carro. Há ônibus diários saindo da capital. O Aeroporto Regional de Bonito opera voos diretos de São Paulo (Guarulhos), com tempo de voo de aproximadamente 2h. Quem chega por Campo Grande pode alugar carro ou contratar transfer pelas agências locais.
Mergulhe nessa cidade que leva o nome a sério
Poucos lugares no Brasil entregam tanta natureza preservada com tanta organização. Bonito conseguiu transformar turismo em ferramenta de conservação, e o resultado se vê na transparência dos rios, no canto das araras e no silêncio das grutas.
Reserve pelo menos quatro dias, compre seus vouchers com antecedência e vá flutuar em rios que fazem a água parecer invisível.