A areia estala sob os pés como pequenas bombas, e foi esse som curioso que batizou Bombinhas. Encravada na única península do sul do Brasil, a cidade concentra águas verde-esmeralda, trilhas entre a Mata Atlântica e a maior reserva marinha da região Sul em apenas 34,5 km² de território.
De vila de pescadores açorianos a destino de mergulhadores
A península foi colonizada por famílias vindas dos Açores entre 1748 e 1756, que trouxeram técnicas de pesca, renda de bilro e festas como o boi na vara. Durante séculos, Bombinhas pertenceu ao município de Porto Belo. A emancipação veio só em 1992, por meio de um plebiscito que mobilizou a comunidade local.
Antes da separação, surfistas e mergulhadores já haviam encontrado a península. A partir dos anos 1990, a vocação para o turismo marinho se consolidou e Bombinhas ganhou o título de Capital do Mergulho Ecológico. Mais de 60% do território é coberto por vegetação protegida, e a cidade conta com cinco unidades de conservação.
Quais praias conhecer na península catarinense?
São 39 praias catalogadas pela Secretaria de Turismo de Bombinhas, das mais estruturadas às acessíveis apenas por trilha ou barco. O mar muda de personalidade conforme o lado da península: águas calmas nas baías, ondas fortes no mar aberto.
- Praia da Sepultura: pequena enseada com água cristalina e piscinas naturais, ideal para snorkeling. O nome vem de um episódio de 1840 envolvendo dois escravos.
- Praia de Quatro Ilhas: mais de um quilômetro de areia com vista para as ilhas da Reserva do Arvoredo. Boa para surfe e contemplação.
- Praia de Mariscal: extensa faixa de areia dourada com restinga preservada, procurada por famílias e surfistas.
- Praia da Tainha: refúgio isolado no extremo da península, acessível por estrada de terra ou barco. Pôr do sol memorável.
- Praia da Lagoinha: minúscula, com trapiche e águas calmas. Funciona como ponto de partida para passeios de barco.
Bombinhas, em Santa Catarina, é conhecida como a capital do mergulho ecológico no estado e, apesar de ser o menor município catarinense, abriga 39 praias deslumbrantes. O vídeo do canal Status Viajante, que conta com cerca de 34 mil subscritores, apresenta um guia completo de 3 dias com foco em dicas de lazer, preços e uma experiência pet friendly:
Mergulho na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo
A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, criada em 1990 e gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), protege 17.600 hectares de oceano e abriga as ilhas do Arvoredo, Galé, Deserta e Calhau de São Pedro. O encontro de correntes quentes e frias permite que pinguins, baleias-francas e peixes tropicais dividam o mesmo ambiente.
O mergulho recreativo é permitido apenas na ponta sul da Ilha do Arvoredo, fora dos limites da reserva. A visibilidade da água chega a 20 metros e a profundidade varia de 5 a 20 metros. Operadoras credenciadas saem de Bombinhas com travessia de cerca de 1h30. Na Ilha das Galés, mergulhadores exploram os destroços do cargueiro Lili, naufragado em 1958 durante um nevoeiro.
Trilhas e mirantes com vista de 360 graus
A Trilha do Morro do Macaco é o passeio terrestre mais popular. A subida leva cerca de 40 minutos e termina em um mirante natural com vista panorâmica da península, das ilhas e da baía de Zimbros. É um dos melhores pontos para assistir ao pôr do sol em Santa Catarina.
A Trilha Costeira de Zimbros percorre o litoral rochoso e passa por praias acessíveis apenas a pé, como Triste, Cardoso e Lagoa. Para quem prefere menos esforço, o Mirante Eco 360°, na Praia da Conceição, oferece vista semelhante com acesso por estrada de terra.
O que comer na terra dos frutos do mar?
A herança açoriana e a pesca artesanal moldaram a cozinha local. Bombinhas também se destaca na maricultura: as fazendas marinhas de Zimbros e Canto Grande produzem mexilhões e ostras servidos frescos nos restaurantes da península.
- Sequência de camarão: prato mais pedido nos restaurantes de Bombas, servido em múltiplas preparações.
- Ostra gratinada: colhida nas fazendas marinhas da baía, servida com queijo e ervas.
- Peixe na telha: tradição catarinense com peixe fresco assado lentamente.
Quando visitar Bombinhas?
O verão é a alta temporada, com praias cheias e engarrafamento no único acesso rodoviário à península. De fevereiro a abril, o movimento diminui e o mar segue quente. No inverno, a água esfria, mas a visibilidade melhora para o mergulho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à península catarinense?
Os aeroportos mais próximos são o de Navegantes (50 km) e o de Florianópolis (82 km). De carro, o acesso é pela BR-101 até a saída para Porto Belo, seguindo pela estrada local até a península. Balneário Camboriú fica a apenas 35 km. Há linhas de ônibus operadas pela Viação Praiana a partir de Balneário Camboriú.
Um mergulho que vale a viagem inteira
Bombinhas comprime em sua pequena península o que muitos destinos litorâneos espalham por centenas de quilômetros: praias de água transparente, vida marinha protegida por lei federal, trilhas com vista de tirar o fôlego e uma cozinha que cheira a mar fresco. O tamanho reduzido é justamente o que torna tudo acessível em poucos dias.
Você precisa calçar uma máscara de snorkel na Sepultura, subir o Morro do Macaco no fim da tarde e entender por que essa península minúscula conquistou o título de capital do mergulho.