O perfume do café torrado e o som de um violão distante recebem quem chega a Valença, no sul do Estado do Rio de Janeiro. A 148 km da capital fluminense, a cidade guarda fazendas imperiais, jardins projetados pelo mesmo francês que desenhou a Quinta da Boa Vista e um distrito onde cada casa exibe na fachada o nome de uma canção de amor.
O passado imperial que moldou o Vale do Café
Fundada em 1823, Valença nasceu de um aldeamento indígena dos Coroados e cresceu com a riqueza dos grãos de café no século XIX. As fazendas da região exportavam parte significativa da produção nacional, e os barões investiam a fortuna em casarões, igrejas e obras públicas. A Prefeitura de Valença preserva registros desse período em seu guia turístico oficial.
Em 1884, o botânico e paisagista francês Auguste Glaziou projetou os jardins da Praça Visconde do Rio Preto, conhecida como Jardim de Cima. Glaziou era o mesmo responsável pelo Campo de Santana, pelo Passeio Público e pela Quinta da Boa Vista, no Rio. A praça de Valença foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) como parte do Centro Histórico da cidade.
O que visitar na capital fluminense do café?
A cidade e seus distritos reúnem fazendas centenárias, cachoeiras e mirantes. Algumas atrações ficam a menos de 15 km do centro.
Por que Conservatória atrai seresteiros do país inteiro?
O distrito de Conservatória, a 34 km da sede de Valença, é conhecido como a Cidade das Serestas. Em 1960, os irmãos José Borges e Joubert criaram o projeto “Em cada casa uma canção”: placas metálicas fixadas nas fachadas das casas do centro histórico com o título e os autores de uma música escolhida pelo morador. São 403 placas no total, e a última foi colocada em 2003. Quando os seresteiros passam pelas ruas, param diante de cada casa para tocar a canção da placa.
As serenatas acontecem às sextas e sábados a partir das 23h, na Casa de Cultura e na Travessa Professora Geralda Fonseca, a Rua do Meio. Aos domingos de manhã, a Solarata leva a música para as ruas sob a luz do sol. A entrada principal do vilarejo passa pelo Túnel que Chora, escavado por mãos escravas no século XIX para dar passagem à ferrovia. A Secretaria de Cultura e Turismo de Valença reúne a programação e o histórico completo do distrito.
Veja as relíquias históricas e as belezas naturais do Vale do Café. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 74 mil inscritos, e apresenta um guia completo de Valença (RJ), destacando a sua imponente Catedral, os jardins projetados no estilo inglês e a rica herança cultural dos quilombos da região:
Quais pratos e sabores experimentar na região?
A mesa valenciana mistura tradições fluminenses e mineiras, com ingredientes da roça e influência dos imigrantes que passaram pela região. Os destaques vão do doce ao salgado.
- Queijos artesanais: Valença é chamada de capital do queijo no Rio de Janeiro. Fazendas da região produzem variedades premiadas em competições internacionais, e há uma Rota do Queijo com visitas guiadas.
- Café especial do Vale: fazendas como a Florença retomaram o plantio e oferecem degustação dos grãos colhidos na própria propriedade.
- Broa de fubá e doce de leite caseiro: presentes nas padarias do centro e nos cafés coloniais servidos nas fazendas históricas.
- Cachaça Pindorama: produzida artesanalmente na Fazenda das Palmas, vizinha a Valença, com medalha de prata no International Spirits Challenge de Londres.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Valença tem clima tropical de altitude, com verões quentes e úmidos e invernos secos e amenos. A melhor época para visitar vai de abril a setembro, quando as chuvas diminuem e as temperaturas ficam mais agradáveis para trilhas e passeios ao ar livre.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar. Consulte a previsão antes de viajar.
Como chegar ao coração do Vale do Café?
Valença fica a 148 km do centro do Rio de Janeiro, cerca de 2h30 de carro pela Via Dutra até Piraí e depois pela RJ-145. Caso a Dutra esteja congestionada, a BR-101 ou a BR-493 são alternativas viáveis. O Portal de Turismo do Estado do Rio de Janeiro traz orientações atualizadas de acesso. O aeroporto mais próximo é o Santos Dumont, na capital.
Conheça a cidade onde o café conta histórias
Valença entrega ao visitante o que poucas cidades fluminenses conseguem reunir: fazendas com camadas de história real, jardins desenhados pelo mesmo francês que ajardinava a Corte, um vilarejo inteiro embalado por serenatas e uma rota de queijos que surpreende até quem vem de Minas.
Você precisa subir a serra e ouvir Conservatória cantar numa noite de sexta-feira para entender por que esse pedaço do Vale do Café ainda guarda um Brasil que o tempo esqueceu de apagar.