Uma sequência rara de erupções solares intensas voltou a colocar o Sol no centro das atenções, com satélites da Nasa registrando em poucos dias múltiplas explosões de classe X, o nível mais alto da escala. O fenômeno ocorre na região ativa AR 4366, uma mancha solar gigantesca com cerca de dez vezes o tamanho da Terra, que segue em atividade e sob monitoramento constante de possível tempestade solar.
Como o alerta emitido pela Nasa foi motivado?
No caso atual, a erupção X8.1 gerou uma nuvem de partículas carregadas que se desloca pelo espaço e deve alcançar o planeta entre quinta-feira (5) e sexta-feira (6).
Quando essas partículas atingem a Terra, o campo magnético é temporariamente comprimido e agitado, o que pode gerar perturbações em tecnologias sensíveis e aumentar a formação de auroras polares. A NOAA prevê uma tempestade geomagnética de baixa intensidade, com pequenos impactos possíveis, mas sem cenário de grande risco global.
Como ocorrem as erupções solares de classe X na região AR 4366?
As cinco grandes erupções registradas entre domingo (1º de fevereiro) e terça-feira (3/2/26) chamam atenção pela frequência e intensidade. A sequência começou com um clarão de classe X1.0, seguido pela explosão X8.1, e depois pelas erupções X2.8, X1.6 e X1.5, todas na mesma região ativa AR 4366.
Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo (UFRJ), essa mancha solar tem cerca de dez vezes o diâmetro da Terra e apresenta alta atividade magnética. Desde 30 de janeiro, a AR 4366 já produziu dezenas de erupções de classes C, M e X, dentro de um padrão típico de um Sol próximo ao máximo de seu ciclo. Veja as imagens (Reprodução/X/@nenecallas):
AR4366 is now facing Earth and has generated an X4.2 class flare pic.twitter.com/ALSRTiTu0k
— Industrial Engineer Irene Quiroz (@nenecallas) February 4, 2026
Quais são as classes de erupções solares e o que cada uma representa?
As erupções solares são classificadas em uma escala que reflete a intensidade da radiação liberada, com impacto variável sobre a Terra. Essa classificação ajuda Nasa, NOAA e observatórios a avaliar riscos para satélites, redes elétricas e comunicações, ajustando alertas de clima espacial.
A seguir, estão as principais classes de erupções e seus efeitos típicos observados na prática:
- Classe X – Erupções mais severas, com grande quantidade de radiação, capazes de afetar satélites e comunicações globais.
- Classe M – Intensidade média, podendo causar interrupções breves em comunicações de rádio e gerar auroras mais intensas.
- Classe C – Pequenas, com efeitos pouco perceptíveis na Terra e impacto mínimo em tecnologias.
- Classe B – Cerca de 10 vezes mais fracas que as de classe C, praticamente sem consequências detectáveis.
- Classe A – As menores, sem efeitos observáveis no dia a dia ou em sistemas tecnológicos.
Como a tempestade solar pode afetar o dia a dia na Terra?
A tempestade solar prevista é classificada como fraca, mas ilustra como o clima espacial pode interferir em tecnologias amplamente usadas. Correntes induzidas podem surgir em linhas de transmissão, sistemas de rádio podem sofrer ruídos e sinais de GPS podem ficar menos precisos, principalmente em altas latitudes.
Setores como aviação, navegação marítima, redes elétricas e operações com satélites são os mais atentos a esses alertas. Em tempestades mais fortes, há risco maior de sobrecargas em transformadores, ajustes de rotas de voos polares e maior exposição à radiação para astronautas em órbita.
Qual é a relação entre o ciclo solar, as manchas e as tempestades solares?
O comportamento atual do Sol está ligado ao seu ciclo magnético de cerca de 11 anos, que altera a quantidade de manchas solares e a frequência de erupções. Em fases de maior atividade, surgem mais regiões ativas como a AR 4366, elevando a probabilidade de tempestades solares e eventos de classe M e X.
Manchas solares são áreas mais escuras e magneticamente intensas na superfície solar, onde linhas de campo se reorganizam de forma abrupta, liberando energia em forma de radiação e partículas. Monitorar essas manchas permite antecipar episódios de clima espacial, proteger infraestruturas críticas e registrar cientificamente um período de forte atividade do Sol próximo ao máximo do ciclo atual.