Na noite desta quarta-feira (11/2), o desabamento de um trecho da autoestrada A1, principal rodovia que liga Lisboa ao Porto, durante fortes chuvas em Portugal, transformou-se em um dos episódios mais críticos da temporada de tempestades no país e expôs, de forma dramática, a fragilidade de infraestruturas estratégicas diante de eventos climáticos extremos.
Como foi o desabamento da rodovia que liga Lisboa ao Porto em Coimbra?
O ponto crítico foi o rompimento de um dos diques do rio Mondego, nas proximidades de Coimbra, junto a um dos pilares da autoestrada A1. A ruptura abriu uma grande cratera na pista, interrompendo totalmente a circulação entre as duas principais cidades portuguesas.
Antes do colapso, o trecho da A1 já havia sido interditado pela polícia, segundo a prefeita de Coimbra, Ana Abrunhosa, o que evitou vítimas diretas. Mesmo assim, o episódio reforçou o clima de alerta e levou à retirada preventiva de milhares de moradores de áreas de maior risco de inundação.
Como as tempestades e o “rio atmosférico” agravaram a situação?
Desde o fim de janeiro, uma sequência de tempestades intensas atinge sobretudo o centro e o sul de Portugal, arrancando telhados, inundando cidades e deixando centenas de milhares de pessoas sem energia. Pelo menos 15 mortes já foram registradas, incluindo vítimas indiretas ligadas a alagamentos, quedas de estruturas e acidentes.
Após a passagem da tempestade Kristin, um rio atmosférico passou a transportar grandes quantidades de umidade de zonas tropicais, intensificando as chuvas no norte e centro. O primeiro-ministro Luís Montenegro reconheceu que os serviços de emergência e de gestão hídrica estavam no limite, deslocando-se a Coimbra para acompanhar evacuações e monitorização de diques. Veja as imagens da rodovia (Reprodução/X/@sputnik_brasil):
🌊🇵🇹 Parte da estrada A1 em Portugal desaba após rompimento de dique do rio Mondego
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) February 12, 2026
🌧 Um trecho da A1, principal rodovia entre Lisboa e o Porto, desabou nesta quarta-feira (11) na região de Coimbra, após o rompimento de um dique do rio Mondego em meio às fortes chuvas, de… pic.twitter.com/F0WCkeh5ut
Quais são os principais riscos após o desabamento na A1?
Com o colapso de parte da A1 e o rompimento do dique no Mondego, aumentou a preocupação com novas cheias e transbordamentos em cascata. A Proteção Civil alertou para o risco de extravasamento da barragem da Aguieira, que poderia levantar diques e provocar inundações em diferentes trechos do rio.
A Agência Portuguesa do Ambiente previu um período excepcional de caudais máximos no Mondego até 14 de fevereiro, mantendo os níveis muito acima do normal. Para reduzir riscos humanos, as autoridades determinaram retiradas preventivas em zonas vulneráveis e reforçaram a vigilância às estruturas ribeirinhas.
Nesse contexto, a Proteção Civil e os municípios implementaram um plano operacional específico para gerir a movimentação de pessoas e a segurança nas áreas críticas, com ações coordenadas em vários pontos do distrito de Coimbra:
- Remoção preventiva de cerca de 3 mil pessoas em Coimbra e arredores.
- Evacuações com apoio de ônibus para abrigos temporários e escolas adaptadas.
- Buscas de casa em casa realizadas pela polícia e proteção civil em zonas de risco.
- Monitorização contínua de diques, barragens e trechos críticos da A1.
Como o desastre impactou a região?
O patrimônio histórico de Coimbra também foi afetado, com o desabamento de parte da antiga muralha localizada em encosta classificada como Patrimônio Mundial da Unesco. O deslizamento bloqueou a estrada abaixo, levou ao fechamento do mercado municipal e evidenciou a vulnerabilidade de estruturas seculares à saturação do solo.
Além de Coimbra, a vila de Porto Brandão, na margem sul do Tejo, foi esvaziada por risco de deslizamentos, e na Caparica cerca de 30 pessoas foram retiradas após um deslizamento em falésias fragilizadas. Esses episódios, somados ao colapso da A1, revelam um quadro alargado de instabilidade geológica e hídrica em várias regiões costeiras e ribeirinhas. Veja os impactos do desabamento:
🚧 Impactos do Desabamento da A1 na Região
Principais consequências após o colapso da rodovia Lisboa–Porto
Quais respostas políticas e estruturais estão em discussão em Portugal?
O contexto meteorológico adverso coincidiu com tensão política nacional, marcada pela renúncia da ministra do Interior, Maria Lúcia Amaral, após críticas à resposta considerada lenta frente à tempestade Kristin. O acompanhamento de campo do primeiro-ministro em Coimbra ganhou visibilidade, intensificando o debate sobre preparação para eventos climáticos extremos.
Enquanto técnicos avaliam os danos na A1 e projetam alternativas provisórias para o tráfego entre Lisboa e Porto, cresce a discussão sobre investimentos em adaptação climática. Em paralelo, avançam propostas para revisão de planos de emergência, sistemas de alerta e critérios de manutenção de infraestruturas estratégicas em todo o país:
- Reforço da monitorização de rios, barragens e diques em todo o território.
- Avaliação estrutural urgente de pontes, viadutos e trechos críticos da A1.
- Planejamento de obras de proteção e adaptação a eventos climáticos severos.
- Revisão de planos de evacuação, comunicação de risco e treino de populações.