Mais de um milhão de correntistas do Ueno Bank já tiveram seus recursos devolvidos após a liquidação da instituição financeira no Paraguai. A informação foi divulgada neste sábado (7) pelo novo presidente do país, Pedro Alliana, que assumiu o cargo após a saída de Santiago Peña.
Alliana se reuniu com integrantes da equipe econômica e representantes do Banco Central para discutir medidas destinadas a reduzir os impactos da crise. Segundo o presidente, cerca de três milhões de paraguaios mantinham contas no banco, considerado a maior instituição financeira digital do país.
O novo governo também informou que aproximadamente 32 mil aposentados que recebiam seus benefícios pelo Ueno Bank passarão a receber os pagamentos por meio de outras instituições financeiras a partir do dia 17 de novembro.
Alliana promete ressarcimento aos correntistas
Em seu primeiro pronunciamento após assumir a Presidência, Alliana determinou a adoção de medidas imediatas para atender os clientes afetados pela liquidação.
“O que venho prometer é concreto. Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos”, declarou.
O presidente afirmou ainda que a prioridade será atender os poupadores em situação de maior vulnerabilidade e cobrou resultados das autoridades responsáveis pela operação de ressarcimento.
Crise provocou queda de Santiago Peña
A liquidação do Ueno Bank foi anunciada na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai identificar problemas nos índices de solvência da instituição, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador.
A crise provocou uma grave turbulência política. Em poucos dias, Santiago Peña deixou a Presidência e passou a responder a uma investigação sobre suspeitas de irregularidades relacionadas ao banco. Peña havia sido acionista do Grupo Vázquez, proprietário da instituição, até março de 2025.
O Ueno Bank concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social paraguaio. A oposição acusou o governo de conflito de interesses, falhas na fiscalização e possíveis irregularidades na utilização de recursos previdenciários.
Oposição cobra responsabilização
Durante os debates políticos que antecederam a saída de Peña, a deputada oposicionista Rocío Vallejo responsabilizou o então presidente pelos prejuízos provocados pela crise e questionou sua relação com o grupo financeiro.
Peña, por sua vez, afirmou que os responsáveis pelas irregularidades seriam submetidos à Justiça, sem exceções. Antes de deixar o cargo, também promulgou uma lei destinada a acelerar a devolução dos depósitos aos correntistas.
Com a posse de Pedro Alliana, o novo governo assume a responsabilidade de conduzir o ressarcimento dos clientes e enfrentar os desdobramentos financeiros e políticos da liquidação do banco.
