O fundo de pensões dos funcionários da Itaipu Binacional no Paraguai mantém aproximadamente R$ 90 milhões aplicados no Ueno Bank, instituição financeira que sofreu intervenção do Banco Central paraguaio por problemas de solvência. A situação acendeu um alerta sobre o risco de prejuízo aos recursos destinados à aposentadoria de trabalhadores e pensionistas da usina.
As informações foram divulgadas na quarta-feira (4) pela própria Caja Paraguaya de Jubilaciones y Pensiones del Personal de Itaipu Binacional (Cajubi), responsável pela administração dos recursos previdenciários. Segundo o comunicado, os investimentos no banco totalizam 100,692 bilhões de guaranis, equivalentes a cerca de R$ 90 milhões, o que representa 2,8% dos ativos do fundo.
A intervenção no Ueno Bank foi determinada pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3), após a identificação de que a instituição operava com menos da metade do capital mínimo exigido pela legislação. A medida foi adotada diante dos problemas financeiros apresentados pelo banco.
Um dos pontos que chamam a atenção é o crescimento expressivo dos investimentos da Cajubi na instituição. No encerramento de 2025, o fundo mantinha aproximadamente R$ 36,9 milhões aplicados no Ueno Bank, por meio de certificados de depósito. O montante atual é 2,4 vezes maior, representando um aumento de R$ 53,1 milhões.
A entidade, entretanto, não esclareceu quando foram realizados os novos aportes nem informou se a diferença também inclui rendimentos das aplicações.
Sinais de irregularidades antes da intervenção
A situação financeira do Ueno Bank já apresentava sinais de alerta antes da intervenção. Segundo informações do jornal paraguaio ABC, a Superintendência de Bancos identificou, em junho de 2026, indícios de concessão de empréstimos a empresas vinculadas ao grupo controlador da instituição.
Em setembro, o Senado paraguaio também solicitou informações sobre a situação financeira do banco.
A Cajubi afirmou que os investimentos foram realizados com base em critérios técnicos, considerando balanços auditados, indicadores financeiros e classificação de risco AA-py. Apesar da justificativa, o fundo não informou quem autorizou individualmente as aplicações.
As decisões de investimento são de responsabilidade do Conselho da Cajubi, presidido por Robert Osvaldo Noguera Palacios.
Possíveis impactos nas aposentadorias
Outro fator de preocupação é o modelo de contribuição definida adotado pelo fundo. Nesse sistema, os benefícios previdenciários dependem dos recursos acumulados e do desempenho dos investimentos. Dessa forma, eventuais perdas financeiras podem afetar diretamente os valores disponíveis para a aposentadoria dos participantes.
A preocupação aumenta diante do limite de cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai, que protege até 228,3 milhões de guaranis por pessoa em cada instituição financeira.
O investimento da Cajubi no Ueno Bank equivale a aproximadamente 441 vezes esse limite de garantia. Ainda não está esclarecido como a cobertura se aplicaria ao montante mantido pelo fundo de pensões.
Diante do cenário, a Cajubi informou que pretende adotar medidas para tentar recuperar os recursos dos participantes. Até o momento, não há definição sobre quanto do dinheiro investido poderá ser recuperado nem sobre os possíveis impactos financeiros para os aposentados e trabalhadores vinculados à entidade.
