Investidores estrangeiros retiraram mais de R$ 8,4 bilhões da Bolsa brasileira entre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a última terça-feira (3). O movimento de saída de recursos, no entanto, começou antes do segundo turno, em 22 de outubro, quando pesquisas eleitorais passaram a indicar uma redução da diferença entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo informações divulgadas pela Revista Oeste nesta quinta-feira (05), considerando os oito pregões consecutivos de retiradas iniciados naquela data, o volume de recursos sacados por estrangeiros chegou a R$ 12,4 bilhões. Investidores institucionais brasileiros também reduziram suas posições, com saídas estimadas em R$ 4,8 bilhões no mesmo período.
Bolsa registra forte queda e aciona mecanismo de proteção
A instabilidade atingiu o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. Em 26 de outubro, o indicador recuou 13,88% em um único pregão, registrando a terceira maior queda diária desde 2000. A intensidade da desvalorização acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos bruscos do mercado.
Na quarta-feira (4), o índice apresentou recuperação de 1,23%, interrompendo uma sequência de seis pregões consecutivos de perdas.
A turbulência também chegou a outros indicadores financeiros. Em outubro, o dólar avançou 7,1%, enquanto os juros futuros de longo prazo ultrapassaram 15,3% ao ano.
Diante do cenário, a XP Investimentos rebaixou sua recomendação para ações brasileiras, passando de otimista para neutra. A corretora citou preocupações com a inflação, a manutenção de juros elevados e a situação fiscal do país.
