A Bolsa de Valores brasileira foi um dos investimentos com pior desempenho em outubro, ao lado do bitcoin e de títulos públicos de longo prazo atrelados à inflação. O Ibovespa acumulou queda próxima de 10% no mês, em meio à reação negativa do mercado financeiro à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na direção oposta, o dólar comercial e aplicações de renda fixa pós-fixada, como o Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, registraram os melhores retornos para os investidores.
Ibovespa recua e dólar sobe
Apenas na última semana de outubro, após o segundo turno das eleições presidenciais, o Ibovespa recuou mais de 18%, segundo os dados apresentados no levantamento. No dia 26, primeiro pregão após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), o índice caiu quase 14%, na maior baixa diária desde março de 2020 e na terceira maior queda de sua história.
Durante a sessão, o indicador chegou a recuar 17%, ficando abaixo dos 170 mil pontos. De acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta, as empresas listadas na B3 perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado naquele dia.
Das 403 companhias analisadas, 315 encerraram o pregão em queda, enquanto apenas 13 registraram valorização. A B3 também acionou o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas.
O dólar acompanhou o movimento de desvalorização do real. Na sessão de 26 de outubro, a moeda norte-americana chegou a subir mais de 8%, alcançando R$ 5,40. No acumulado do mês, avançou 5,22% e encerrou outubro cotada a R$ 5,444.
No último pregão do mês, em 30 de outubro, o Ibovespa fechou em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos. Já o dólar subiu 1,05% na sessão. Apesar da alta mensal, a moeda ainda acumulava desvalorização de 0,81% em 2026.
Renda fixa registra ganhos
Entre os investimentos de renda fixa, o Tesouro Selic se destacou pelo desempenho positivo. Com a taxa básica de juros em patamar elevado, o título registrou retorno superior a 1% em outubro.
O Tesouro Selic é um título público pós-fixado cuja rentabilidade acompanha a taxa básica de juros. Por essa característica, costuma apresentar menor oscilação de preço em comparação com títulos prefixados e atrelados à inflação.
Os CDBs pós-fixados, que geralmente acompanham o CDI, também tiveram rendimento próximo de 1% no mês. Já os títulos prefixados passaram a oferecer taxas mais elevadas após o segundo turno, com remunerações que chegaram à faixa de 15% ao ano.
No caso do Tesouro Prefixado com vencimento em 2032, a taxa oferecida passou de 14,19% ao ano, em 1º de outubro, para 15,31% no dia 30.
Títulos atrelados à inflação sofrem com alta dos juros
Os títulos públicos vinculados ao IPCA tiveram um mês de forte oscilação. No Tesouro IPCA+ 2032, a taxa de juros real começou outubro em 7,66% ao ano, recuou para 6,68% no dia 9 e terminou o mês em 7,89%.
A alta das taxas de mercado reduz o preço dos títulos já negociados. Por isso, investidores que compraram o papel quando a taxa estava em 6,68% podem ter observado uma desvalorização no saldo durante o período.
O Tesouro IPCA+ combina a variação da inflação oficial com uma taxa de juros real definida no momento da compra. O resultado recebido no vencimento depende das condições contratadas e da manutenção do investimento até essa data.
Fonte: Revista Oeste
