Itamaraty convocou representante da Embaixada da Argentina para prestar esclarecimentos sobre possível participação do governo de Javier Milei no deslocamento do senador.
A suspeita de que o governo argentino tenha ajudado a facilitar a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil agravou o desgaste diplomático entre os dois países. O episódio aumenta a tensão bilateral e dificulta uma possível retomada da normalidade nas relações entre Brasília e Buenos Aires.
Flávio deixou o território brasileiro após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas. O parlamentar, que declarou não reconhecer o resultado eleitoral, seguiu para os Estados Unidos em uma viagem com escalas na Argentina e no Equador. Segundo as informações divulgadas, o deslocamento teria contado com a assistência da Casa Branca e o apoio da Casa Rosada.
A articulação em território argentino é atribuída a Santiago Caputo, um dos principais assessores do presidente Javier Milei. Flávio teria viajado em uma aeronave da empresa argentina Baires Fly S.A., que é investigada no país vizinho em um caso que também envolve a irmã do presidente argentino.
Diante das suspeitas, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina em Brasília, ministra-conselheira Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos oficiais ao Itamaraty.
O episódio acrescenta um novo ponto de tensão à relação entre os governos de Lula e Milei, em meio às suspeitas sobre uma possível participação de autoridades argentinas na saída do senador brasileiro do país.