Reajustes foram anunciados em menos de uma semana. Com as novas taxas, o Itaú passou a cobrar até 12,95% ao ano, enquanto o Bradesco elevou o percentual para 15% na maioria das modalidades.
O financiamento da casa própria ficou mais caro em dois dos principais bancos privados do país. Depois do Bradesco, o Itaú Unibanco anunciou nesta quinta-feira (29) o aumento das taxas de juros para o crédito imobiliário, elevando o percentual mínimo para 12,95% ao ano, acrescido da Taxa Referencial (TR).
Segundo levantamento da MySide, empresa especializada no monitoramento de taxas imobiliárias, o Itaú praticava anteriormente juros a partir de 11,99% ao ano mais TR. Com a mudança, a taxa mínima acompanhada pela plataforma passou para 12,89%, enquanto o percentual de 12,95% passou a valer para a maioria dos clientes, fora do segmento Private.
O reajuste foi atribuído pelo banco às oscilações recentes nas curvas de juros futuros, que registraram alta após o segundo turno das eleições. Em comunicado, a instituição afirmou que a mudança busca acompanhar o custo de captação de recursos e manter a sustentabilidade das operações. As condições podem variar conforme o perfil e o relacionamento de cada cliente.
A pressão sobre os juros também está relacionada à redução dos recursos disponíveis na caderneta de poupança, tradicional fonte de financiamento imobiliário. Dados do Banco Central indicam que a participação da poupança no financiamento do setor caiu de 34% em dezembro de 2023 para 29% em dezembro de 2025.
Com menos recursos dessa fonte, os bancos recorrem a alternativas como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), cujo custo acompanha as oscilações dos juros de mercado.
Itaú tem reajuste menor que o Bradesco
A elevação promovida pelo Itaú foi mais moderada que a anunciada pelo Bradesco. No concorrente, a taxa mínima para a maioria dos clientes passou de 11,69% para 15% ao ano, mais TR. O percentual de 13,6% ficou restrito aos clientes do segmento Private.
Apesar de o novo índice do Itaú ser inferior ao do Bradesco, a taxa de 12,95% supera o limite de 12% ao ano estabelecido para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Operações com juros acima desse patamar são enquadradas no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que permite a negociação livre das taxas.
A diferença é importante para quem pretende comprar um imóvel utilizando recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O enquadramento nas regras do SFH é uma das condições para utilizar o saldo do fundo na aquisição ou amortização do financiamento.
Dois bancos concentram mais de 40% do crédito
O aumento anunciado pelo Itaú tem impacto relevante no mercado imobiliário. Entre janeiro e agosto de 2026, o banco respondeu por 25,2% dos R$ 132,5 bilhões concedidos em financiamentos com recursos da poupança, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
O Bradesco ficou com 16,2% do volume. Somados, os dois bancos movimentaram R$ 54,9 bilhões no período. A Caixa Econômica Federal liderou o segmento, com participação de 48,6%.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o movimento pode ser acompanhado por outras instituições financeiras. O Santander informou que monitora os indicadores econômicos e avalia possíveis impactos sobre suas taxas. Caixa e Banco do Brasil, por sua vez, disseram estar em período de silêncio em razão da divulgação de resultados.
O mercado também acompanha os próximos passos da política monetária. O Itaú prevê divulgar seus resultados do terceiro trimestre em 3 de novembro. Na mesma data, começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciará no dia 4 sua decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic.
