Presidente do partido afirma que o Planalto já procurou a legenda e condiciona uma relação mais estreita a sinais de diálogo com o centro e mudanças na política econômica.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já procurou o partido e que existe a possibilidade de uma aproximação mais intensa durante o quarto mandato do petista. Em entrevista ao jornal O Globo, o dirigente disse que uma relação mais profunda dependerá dos rumos políticos e econômicos adotados pelo Planalto.
Ao analisar o resultado das eleições presidenciais, Kassab avaliou que a escolha de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato da direita contribuiu para dividir o eleitorado de centro. Segundo ele, o senador perdeu apoio ao longo da campanha, especialmente quando passou a ser mais conhecido fora do Rio de Janeiro.
O dirigente citou declarações sobre possíveis mudanças na Constituição, o estilo de comunicação e a postura de Flávio nos debates como fatores que teriam provocado resistência entre eleitores. Também afirmou que o PT conseguiu mobilizar o sentimento de receio em relação à volta de um integrante da família Bolsonaro à Presidência.
Kassab destacou ainda o papel das manifestações espontâneas e da comunicação digital na campanha, mencionando a atuação do deputado André Janones (Rede-MG).
Aproximação depende da agenda econômica
O presidente do PSD afirmou que a legenda poderá estreitar os laços com o governo caso Lula demonstre disposição para dialogar com o centro e adote medidas voltadas à economia.
Kassab lembrou que, no governo anterior, o partido ocupou três ministérios, embora não tenha declarado oficialmente participação na base governista. Segundo ele, a orientação interna era de que o partido compreenderia a decisão de filiados que aceitassem convites do Planalto.
Na avaliação do dirigente, Lula terá o desafio de ampliar o apoio político e buscar a união do país. Kassab também defendeu que o presidente mantenha os compromissos sociais, mas dê prioridade à condução econômica e à busca pelo equilíbrio fiscal. Como referências para essa área, mencionou os ex-ministros Antonio Palocci e Henrique Meirelles.
“Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, afirmou. Ele também admitiu a possibilidade de uma relação mais profunda entre o PSD e o governo.
Questionado sobre a possibilidade de assumir um ministério, Kassab disse que a hipótese não está entre seus planos imediatos, mas não descartou retornar ao Executivo. O dirigente já comandou duas pastas em governos anteriores.
Polarização continua, avalia Kassab
Kassab também contestou a ideia de que a corrupção tenha perdido importância no debate eleitoral. Ele comparou o ambiente do segundo turno ao clima de indignação observado em 2013 e alertou para possíveis consequências caso os partidos não adotem um discurso mais firme contra práticas de corrupção.
O presidente do PSD avaliou ainda que a polarização política permanece. Segundo ele, Ronaldo Caiado (PSD), que terminou em quinto lugar na disputa presidencial de 2026, não conseguiu atrair eleitores que rejeitavam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.