Defesa apresentou três petições ao STF, questionou a imparcialidade do relator e solicitou a revisão da medida que reteve o passaporte do senador.
Flávio Bolsonaro apresentou três petições ao Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira (30) para contestar a condução da investigação sobre sua relação com o advogado Willer Tomaz. Entre os pedidos estão o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do caso e a revogação da decisão que determinou o recolhimento do passaporte do senador, além da proibição de deixar o país.
Em uma das manifestações, encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, os advogados pedem que a investigação seja transferida para o ministro André Mendonça. A defesa argumenta que ele já conduz apurações relacionadas à Operação Sem Desconto e, por isso, deveria ficar responsável pelo processo.
Em outra petição dirigida a Fachin, os representantes do senador questionam a imparcialidade de Moraes. Segundo a defesa, a investigação envolve uma empresa que detinha cotas do avião utilizado por Flávio e que, posteriormente, teria destinado sua participação ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, em um contrato com o Banco Master.
Defesa contesta suspeitas
A terceira petição foi apresentada diretamente a Alexandre de Moraes e solicita que o ministro reconsidere a decisão que determinou a apreensão do passaporte do senador e o impediu de sair do Brasil.
No documento, os advogados afirmam que Flávio está disposto a colaborar com as apurações, comparecer aos atos para os quais for convocado e prestar os esclarecimentos solicitados.
A defesa atribui os registros de proximidade entre o senador e Willer Tomaz à amizade entre os dois. Também contesta a existência de uma conta bancária conjunta, afirmando que o Santander teria negado esse vínculo. Os advogados sustentam ainda que não há, na investigação, indicação de atos praticados por Flávio relacionados à Rede Loto, à RioPag ou à Loterj.
O que a Polícia Federal investiga
A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. A análise do celular do advogado identificou pagamentos de pelo menos três viagens de jatinho realizadas pelo senador entre Portugal e França, em 2025.
A aeronave também tinha participação da Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios.
Os investigadores identificaram ainda viagens feitas por Flávio e Tomaz juntos, além da utilização de um apartamento do advogado, em São Paulo, pelo senador para reuniões e gravações de campanha.
Os dois reconhecem a amizade, mas negam a existência de relações comerciais irregulares ou o envolvimento em ilegalidades.