Parte do entorno presidencial defende insistir no nome do advogado-geral da União, enquanto outra ala considera Rodrigo Pacheco uma alternativa com maior possibilidade de aprovação no Senado.
A escolha do próximo indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) provocou divergências entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto um grupo defende a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, outra ala considera que o senador Rodrigo Pacheco seria uma opção mais segura para evitar novos desgastes com o Senado Federal.
A divisão foi apontada pelo analista político Matheus Teixeira, durante o programa Hora H, nesta sexta-feira (30). Segundo ele, os aliados mais próximos do Congresso defendem uma aproximação com os senadores para garantir a aprovação do indicado. Nesse cenário, Pacheco aparece como favorito entre os defensores de uma negociação mais ampla.
Em contrapartida, outro grupo acredita que a reeleição fortaleceu politicamente Lula e abriu espaço para que o presidente volte a apresentar o nome de Jorge Messias, mesmo diante das resistências existentes no Legislativo.
Indicação de Messias virou questão pessoal para Lula
De acordo com Matheus Teixeira, Lula ficou bastante contrariado quando a indicação anterior de Jorge Messias enfrentou resistência. Desde então, a escolha do advogado-geral da União passou a ser tratada nos bastidores como uma questão de honra para o presidente.
Os defensores de Messias argumentam que a vitória eleitoral, com mais de 60 milhões de votos, ampliou a força política do petista e poderia facilitar a aprovação de seu escolhido.
Outro fator considerado nessa estratégia é a atual composição do Senado. Aliados avaliam que o cenário político da Casa poderá ser menos favorável ao governo na próxima legislatura, o que tornaria a tentativa de aprovação ainda mais difícil futuramente.
Pacheco tem apoio de Alcolumbre
Rodrigo Pacheco conta com a simpatia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que já demonstrou preferência por seu nome para a vaga no Supremo. O senador também possui boa interlocução com integrantes da própria Corte.
As negociações seguem em andamento. Após a vitória eleitoral, Lula se reuniu com Alcolumbre e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um encontro que também envolveu as articulações políticas para o próximo período.
A escolha, entretanto, cabe constitucionalmente ao presidente da República. Depois da indicação, o nome precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e receber aprovação da maioria absoluta dos senadores.
A definição também pode envolver outras negociações políticas, incluindo a disputa pela presidência do Senado. Segundo a avaliação de Matheus Teixeira, o apoio do governo à recondução de Alcolumbre ao comando da Casa poderá fazer parte das conversas e dos compromissos entre o Executivo e o Legislativo.
Até o momento, Lula não anunciou oficialmente qual dos dois nomes pretende indicar.