Artigo do Die Welt critica decisões do STF envolvendo Jair Bolsonaro e seu filho Flávio e questiona a atuação de ministros da Corte
O jornal alemão Die Welt publicou, na quinta-feira (29), um artigo em que acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de transformar o Judiciário brasileiro em um instrumento de proteção política. Intitulado O Brasil ainda é um Estado de Direito?, o texto é assinado pelo correspondente Tobias Käufer e reúne críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho Flávio.
Um dos principais pontos abordados pelo jornalista foi a decisão judicial contra Flávio após o resultado das eleições. Segundo o texto, a Polícia Federal pediu ao STF a apreensão dos passaportes do senador e a proibição de que ele deixasse o país, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Käufer questionou a rapidez das medidas e afirmou que a Justiça brasileira parecia estar à espera de uma oportunidade para agir contra um adversário político de Lula. O correspondente também mencionou a possibilidade de ministros do STF enfrentarem processos de impeachment caso Flávio tivesse vencido a eleição.
O jornalista criticou ainda uma declaração de Lula, que, ao comentar a viagem do senador aos Estados Unidos, afirmou que “quem não deve, não teme”. Para Käufer, a fala “soou como uma ordem de serviço”.
Críticas às indicações para o STF
O artigo também questionou a influência do PT na composição do Supremo. Käufer afirmou que, desde 2003, o partido indicou 15 dos 18 ministros nomeados no período e argumentou que as escolhas para a Corte podem tanto preservar o equilíbrio institucional quanto favorecer interesses políticos.
O correspondente comparou a repercussão internacional da indicação de André Mendonça, escolhido por Jair Bolsonaro, com as nomeações feitas por Lula. Segundo ele, houve maior reação da imprensa internacional à escolha de um ministro evangélico do que à indicação de pessoas próximas ao atual presidente.
Outro episódio citado foi a investigação da Transparência Internacional, determinada pelo ministro Dias Toffoli em 2024, em razão da atuação da organização em acordos de leniência da Operação Lava Jato. O texto também mencionou as críticas feitas pela entidade ao governo Lula em janeiro de 2026, quando afirmou ter sofrido intimidação após questionamentos da Casa Civil sobre sua credibilidade.
Liberdade de imprensa e decisões judiciais
Käufer também abordou a atuação do ministro Alexandre de Moraes em um caso envolvendo o jornalista Luís Pablo, que publicou reportagens sobre o uso de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino.
Segundo o artigo, Moraes autorizou medidas que poderiam identificar fontes do jornalista, apesar de alertas da Polícia Federal sobre a proteção do sigilo jornalístico. O Die Welt apresentou o episódio como uma ameaça à liberdade de imprensa.
O texto ainda criticou a libertação de políticos condenados por corrupção e mencionou o asilo concedido pelo Brasil a Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru, condenada a 15 anos de prisão. Para o correspondente, as autoridades brasileiras não demonstraram interesse nas informações que ela poderia fornecer sobre o escândalo da Odebrecht.
Ao longo do artigo, Käufer reuniu esses episódios para questionar a independência do Judiciário brasileiro e a relação entre decisões judiciais e interesses políticos. As avaliações e acusações apresentadas são do jornalista e do veículo alemão.
Fonte: Revista Oeste
