O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria utilizado um jato particular providenciado por Jason Miller, integrante da área de comunicação da Casa Branca, para viajar aos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo jornal norte-americano The New York Times (NYT), que detalhou a logística da viagem realizada pelo parlamentar na noite de terça-feira (27).
Segundo uma fonte ouvida pelo jornal, que teria conhecimento da organização do deslocamento, Flávio embarcou na Argentina e seguiu para o Equador, onde a aeronave fez uma parada para reabastecimento. Em seguida, o avião partiu para Miami, na Flórida, destino final do senador.
Ainda conforme a reportagem, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller, assessor ligado ao presidente Donald Trump. O planejamento da viagem teria começado na segunda-feira (26), depois que Flávio foi orientado a entregar seus passaportes, de acordo com a fonte citada pelo veículo norte-americano.
A CNN Brasil informou que procurou o Departamento de Estado dos Estados Unidos, a Casa Branca e Jason Miller para comentar as informações, mas aguardava retorno até a publicação da reportagem.
Governo Trump teria concedido autorização de permanência
Flávio Bolsonaro e seus familiares receberam do governo norte-americano uma autorização condicional para permanecer nos Estados Unidos por até um ano. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a permissão possibilita que a família fique no país até outubro de 2027.
Esse tipo de autorização pode ser concedido em circunstâncias específicas, inclusive em situações de urgência humanitária, conforme as regras migratórias dos Estados Unidos.
De acordo com o New York Times, Flávio pretende solicitar um green card, documento que permite a estrangeiros residir e trabalhar permanentemente nos Estados Unidos, desde que atendidos os requisitos legais.
A expectativa, segundo a fonte ouvida pelo jornal, é que o pedido seja processado rapidamente pela administração Trump. O mesmo teria ocorrido com Eduardo Bolsonaro, que obteve o documento em julho de 2026, após mais de um ano de espera pela análise da solicitação.
Trump evita comentar carta de Flávio
Na quarta-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o governo norte-americano havia concedido autorização para a entrada de Flávio Bolsonaro no país.
Questionado por jornalistas sobre a carta divulgada pelo senador nas redes sociais, na qual ele se autodeclarou “presidente eleito” do Brasil, Trump evitou se posicionar diretamente sobre o conteúdo.
“Não vou me envolver”, afirmou o presidente norte-americano. Em outro momento, acrescentou que a eleição brasileira teria sido “muito estranha”.
Trump já havia feito declarações questionando a lisura do processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas que sustentassem as acusações. Autoridades brasileiras e observadores independentes, por sua vez, reconheceram a regularidade da votação.
Viagem ocorre após resultado eleitoral no Brasil
A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorre após o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado no domingo (25). Na disputa, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com aproximadamente 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões recebidos por Flávio, uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos, conforme os dados eleitorais citados na reportagem.
A viagem, a suposta participação de um assessor ligado à Casa Branca na organização do deslocamento e a perspectiva de um pedido de residência permanente colocam a permanência do senador nos Estados Unidos no centro das discussões políticas.
Até o momento, as informações sobre a organização do voo e os contatos com Jason Miller têm como base fontes ouvidas pelo New York Times. A confirmação oficial dos envolvidos sobre os detalhes da logística não havia sido divulgada no material apresentado pela CNN Brasil.
