O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afastou o tenente-general Brett Sylvia, principal responsável pelo planejamento estratégico do Estado-Maior Conjunto, em meio às discussões sobre possíveis novos ataques americanos contra o Irã. A informação foi divulgada pela CNN, que citou uma fonte familiarizada com o assunto.
Sylvia ocupava o cargo de diretor de estratégia, planos e políticas, conhecido como J5. Um porta-voz do general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, confirmou que o oficial deixaria a função de forma abrupta. Até o momento, não foi apresentada uma justificativa oficial para a saída, nem foi anunciado quem assumirá o posto.
A função J5 é responsável por elaborar estratégias e planos militares e formular recomendações de políticas para auxiliar o presidente do Estado-Maior Conjunto e outras autoridades americanas em decisões relacionadas à segurança nacional.
Sylvia comandou anteriormente a 101ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA e foi indicado para o cargo durante a gestão do ex-secretário de Defesa Lloyd Austin, no fim do governo de Joe Biden.
Em comunicado, o Estado-Maior Conjunto agradeceu ao militar e à família pelos 32 anos de serviço prestados às Forças Armadas americanas.
EUA avaliam novas operações contra o Irã
A saída ocorre enquanto o governo de Donald Trump avalia a possibilidade de ampliar as operações militares contra o Irã. Segundo informações obtidas pela CNN junto a autoridades americanas, as forças dos Estados Unidos no Oriente Médio estariam preparadas para iniciar novas ações, potencialmente de grande escala, em até 96 horas após receberem uma ordem presidencial.
Fontes ouvidas pela emissora afirmaram que uma ofensiva poderia ocorrer antes do fim de 2026, possivelmente após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro. No entanto, segundo a própria reportagem, Trump ainda não havia tomado uma decisão definitiva.
O presidente americano já havia indicado que não pretendia ordenar ataques antes das eleições. Autoridades citadas pela CNN também ressaltaram que Trump, em outras ocasiões, demonstrou interesse em determinadas ações militares, mas acabou recuando.
Afastamentos no alto comando militar
A saída de Sylvia se soma a outras mudanças na liderança militar durante a gestão de Hegseth. Segundo a CNN, o secretário promoveu o afastamento de diversos oficiais de alto escalão e participou de decisões sobre promoções nas Forças Armadas.
Entre os casos citados pela emissora está o do general Randy George, que deixou o cargo de chefe do Estado-Maior do Exército em abril. O tenente-general Joe McGee, antecessor de Sylvia na função J5, também deixou o posto em outubro de 2025, em circunstâncias que fontes ouvidas pela CNN atribuíram à pressão de Hegseth.
De acordo com esses relatos, McGee teria divergido do secretário e de Dan Caine sobre questões estratégicas, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia e operações militares no Caribe.
Até o momento, não há explicação oficial que estabeleça uma relação direta entre a saída de Sylvia e os planos de uma possível ofensiva contra o Irã.