A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Segundo informações do Metrópoles, o inquérito foi aberto em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na Justiça Federal do Paraná, com participação do Ministério Público Federal (MPF).
Segundo informações divulgadas pela Revista Oeste nesta quinta-feira (29), a investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX, empresa que oferece serviços relacionados a criptoativos e enfrenta ações judiciais de investidores que afirmam ter dificuldades para recuperar os valores aplicados.
Guedes comandou o Ministério da Economia durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Posteriormente, prestou consultoria à OnilX, participou de reuniões estratégicas e manteve contato com potenciais investidores. A empresa também utilizou a imagem do ex-ministro em materiais de divulgação.
Investidores relatam dificuldades para recuperar recursos
Em uma publicação, a OnilX exibiu Guedes ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa durante uma reunião apresentada como estratégica. O ex-ministro também participou de eventos voltados a investidores e assessores da companhia.
A relação com Guedes foi mencionada em processos judiciais contra a empresa. Em uma das ações, um casal que cobra R$ 876,5 mil da OnilX afirmou que decidiu manter e ampliar os investimentos após participar de uma reunião com o ex-ministro, em abril. Segundo os autores, meses depois, o casal tentou resgatar os recursos, mas não conseguiu.
Em outro processo, uma assessora da empresa mencionou Guedes ao tentar atrair um investidor. Conforme mensagens anexadas aos autos, ela ofereceu a possibilidade de uma reunião com o ex-ministro para discutir estratégias de investimento.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também adotou medidas contra a companhia. Em janeiro, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, manteve a decisão e esclareceu que a medida não abrangia a simples intermediação de criptoativos sem promessa de rendimento ou contrato de investimento.
Grupo é alvo de mais de 100 ações judiciais
Levantamento citado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre junho e setembro. Nos processos, investidores relatam dificuldades para sacar valores aplicados em criptomoedas e stablecoins. Alguns também levantam suspeitas de funcionamento como pirâmide financeira.
A OnilX nega irregularidades e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. A defesa de Paulo Guedes não respondeu aos questionamentos mencionados na reportagem.
A investigação permanece sob sigilo. A inclusão de Guedes e do empresário no inquérito não significa que tenham sido condenados ou que as suspeitas estejam comprovadas.
