Ucrânia e Rússia realizaram nesta sexta-feira (23) uma nova troca de prisioneiros de guerra, com a libertação de 270 pessoas de cada lado, totalizando 540 indivíduos. O acordo foi alcançado após reuniões entre representantes dos dois países e dos Estados Unidos no início desta semana, em meio aos esforços de Washington para avançar nas negociações por um acordo de paz.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, comemorou o retorno dos cidadãos do país em uma publicação nas redes sociais. “270 dos nossos estão em casa. Um resultado muito importante”, escreveu.
Segundo Zelensky, a maioria dos ucranianos libertados é formada por militares que participaram da defesa de Mariupol. O grupo também inclui combatentes que atuaram em regiões como Donetsk, Luhansk, Kharkiv, Zaporizhzhia, Kherson, Kyiv, Mykolaiv e Chernihiv, além de nove civis. Muitos estavam em cativeiro desde 2022, ano em que a Rússia iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia.
Entre os libertados, o ucraniano Mykhailo Shevchuk relatou a longa espera pelo reencontro com a liberdade. “Esperei por este momento durante 4 anos e meio. Passei 1.670 dias em cativeiro. Estava farto de tudo, e ainda não consigo acreditar que este momento finalmente chegou”, afirmou.
Outro prisioneiro, que preferiu não revelar sua identidade, denunciou as condições enfrentadas durante o período de detenção. Segundo ele, alguns centros de custódia não estavam preparados para receber os prisioneiros, que teriam sido submetidos a tratamentos brutais.
Do lado russo, a comissária de direitos humanos, Yana Lantratova, informou que entre os 270 cidadãos devolvidos pela Ucrânia estão sete civis. Em comunicado, ela destacou as dificuldades enfrentadas por algumas pessoas para retornar às suas famílias, incluindo problemas com documentação, falta de recursos financeiros e ausência de apoio durante o período de cativeiro.
O Ministério da Defesa da Rússia informou, por meio do Telegram, que os militares libertados estavam em Belarus, onde receberiam assistência médica e psicológica antes de serem transportados para a Rússia.
Trocas de prisioneiros seguem como canal de diálogo
Desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, Moscou e Kiev realizaram diversas trocas de prisioneiros, envolvendo milhares de pessoas. A medida permanece como um dos poucos canais de comunicação que continuaram funcionando, ainda que de maneira intermitente, entre os governos dos dois países.
A última grande troca mencionada havia ocorrido em 19 de agosto, quando 103 ucranianos retornaram do cativeiro russo.
Embora não represente, por si só, um avanço definitivo para o fim do conflito, a nova operação demonstra que ainda existe espaço para acordos pontuais entre os dois lados, mesmo diante das dificuldades para estabelecer uma solução política duradoura.
Estados Unidos pressionam por negociações de paz
A troca ocorre em um momento de intensificação da pressão dos Estados Unidos para que Ucrânia e Rússia avancem nas negociações por um acordo de paz. Autoridades dos dois países levantaram a possibilidade de novas conversas em novembro, com mediação de Washington.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscou está disposta a retomar os contatos para discutir garantias de segurança após a conclusão de um acordo definitivo.
“O objetivo dessas negociações será discutir como garantir a segurança da Ucrânia e da Rússia após a assinatura dos acordos de paz definitivos, e não como resultado de uma suspensão temporária das hostilidades”, declarou Putin. “Estamos prontos para retomar esses contatos para atingir esse objetivo”, acrescentou.
Apesar dos sinais de abertura para novas conversas, ainda não há garantia de que as negociações resultarão em um entendimento capaz de encerrar a guerra. Enquanto Washington tenta aproximar as partes, a troca de prisioneiros representa um avanço humanitário pontual em um conflito que já dura mais de quatro anos.