Conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que o banqueiro e seu sócio, Flávio Carneiro, negociaram a aquisição do jornal Correio Braziliense em 2025. As mensagens também apontam discussões sobre a linha editorial do veículo e a publicação de conteúdos favoráveis aos interesses do grupo.
Em 10 de abril de 2025, Carneiro enviou a Vorcaro um relatório afirmando que o grupo havia assumido o editorial do jornal no início daquele mês. Na mesma mensagem, mencionou um modelo de negócio elaborado com Leo Palhares e um prazo para apresentar precatórios à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles nesta quinta-feira (22), a estratégia envolvia o uso de precatórios federais para amortizar débitos inscritos na dívida ativa da União. Segundo os dados citados na reportagem original, o Correio Braziliense acumulava uma dívida de R$ 589,4 milhões com a União, enquanto o passivo do grupo Diários Associados, controlador do jornal, chegava a R$ 1,4 bilhão.
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Conversas indicam tentativa de influenciar a cobertura
As mensagens também revelam tratativas sobre a divulgação de informações relacionadas a Vorcaro. Em abril de 2024, ao discutirem a participação do banqueiro no I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, Carneiro sugeriu que poderia publicar uma nota no jornal para divulgar o evento.
Em janeiro de 2024, o sócio já havia mencionado um possível acordo com uma jornalista para o chamado “projeto Correio Braziliense”. Segundo a conversa, ela poderia assumir uma coluna e ajudar a ampliar a audiência caso a iniciativa avançasse.
Em março de 2025, após o anúncio de que o Banco de Brasília (BRB) compraria o Banco Master, Vorcaro reclamou que nenhum veículo do grupo havia publicado uma análise favorável à operação. Ele pediu que Carneiro procurasse o Platô e o Correio Braziliense para que fossem divulgados argumentos favoráveis ao negócio.
Na mensagem, Vorcaro afirmou que a possibilidade de o Banco Central não aprovar a operação seria “zero”. Meses depois, o BC rejeitou a transação.
Negociação avançou em agosto de 2025
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Em 12 de agosto de 2025, Carneiro informou a Vorcaro que o contrato relacionado à compra do Correio Braziliense havia sido assinado. “Correio assinado. Agora depende só de nós”, escreveu.
Ao ser questionado sobre quem seria o comprador, Carneiro respondeu que o negócio seria destinado ao veículo que os dois estavam estruturando, conforme uma minuta previamente elaborada.
A negociação, contudo, não se concretizou antes da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, segundo o relato original.
Sócios discutiram reação a críticas ao banco
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As conversas também registram discussões sobre conteúdos críticos ao Banco Master e ao BRB. Em 3 de agosto de 2025, Carneiro informou que iria a Brasília para alinhar com o Platô e o Correio Braziliense uma resposta a publicações de Ricardo Cappelli, ex-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSB, que criticava as instituições.
Vorcaro teria orientado o sócio a intensificar a ofensiva contra Cappelli. Carneiro respondeu que também pretendia rebater as críticas.
Seis dias depois, ele encaminhou a Vorcaro oito perguntas que havia recebido sobre as negociações envolvendo o jornal.
Em setembro de 2025, Carneiro voltou a cobrar uma definição sobre o negócio. Nas mensagens, afirmou que os documentos estavam prontos para assinatura, mas que a conclusão dependia de uma conversa entre Vorcaro e Ricardo, citado no diálogo.
O conjunto das mensagens descreve negociações para adquirir o jornal e discussões sobre a atuação editorial do veículo. Os registros, por si só, não esclarecem todos os termos do negócio nem comprovam que a aquisição tenha sido concluída.
