Uma denúncia envolvendo um suposto pagamento de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou repercussão nacional após a divulgação de áudios e documentos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master. O caso foi revelado pela revista VEJA em outubro de 2026.
Segundo a publicação, Vorcaro afirmou ter destinado os recursos à produção do documentário sobre Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, além de relatar outro repasse, de valor não divulgado, ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. Na gravação divulgada pela revista, o ex-banqueiro teria descrito o pagamento relacionado ao filme como realizado “por fora”.
Suposta contrapartida envolveria fundos de pensão
De acordo com os relatos atribuídos a Vorcaro, os pagamentos estariam relacionados a uma tentativa de ampliar o acesso do Banco Master a investimentos de fundos de previdência ligados a empresas estatais e a servidores públicos federais.
Entre as instituições citadas nas reportagens estão a Previ, vinculada ao Banco do Brasil, a Postalis, dos Correios, e a Petros, ligada à Petrobras. Segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, as articulações buscariam viabilizar negócios que poderiam movimentar bilhões de reais.
A reportagem também menciona o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e pessoas ligadas ao então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Conforme as alegações atribuídas a Vorcaro, Vaccari teria negociado pagamentos de 10% sobre os valores captados junto aos fundos de previdência. As acusações, contudo, não devem ser tratadas como fatos comprovados.
João Vaccari e auxiliares de Padilha são citados
Nas informações divulgadas pela VEJA, Vorcaro teria relatado negociações com João Vaccari Neto para viabilizar a aproximação do Banco Master com os fundos de previdência. A publicação também cita contatos com auxiliares de Alexandre Padilha para a realização de reuniões com representantes dessas instituições.
O objetivo alegado seria facilitar operações financeiras para o banco em troca de vantagens indevidas. As acusações envolvem, portanto, suspeitas de pagamentos irregulares e possível utilização de relações políticas para viabilizar negócios com recursos de fundos de previdência.
Investigação e questionamentos sobre as provas
A denúncia, porém, enfrenta questionamentos sobre a comprovação dos fatos. Segundo a CNN Brasil, a Polícia Federal não avançou com a proposta de delação de Vorcaro por considerar insuficientes os elementos apresentados. A Procuradoria-Geral da República também foi mencionada nas reportagens sobre o caso.
O UOL informou ainda que não encontrou, em mensagens analisadas do celular do ex-banqueiro, registros que comprovassem pagamentos ou patrocínio ao documentário.
Dessa forma, embora os áudios divulgados pela revista tenham ampliado a repercussão política do caso, a alegação de pagamento de R$ 30 milhões e a suposta contrapartida envolvendo fundos de pensão precisam ser distinguidas de fatos comprovados por investigação ou decisão judicial.
O episódio ganhou relevância em meio à disputa presidencial de 2026 e às discussões sobre a relação entre o Banco Master, agentes políticos e instituições ligadas ao poder público.
