O governo da França autorizou a adoção de toques de recolher localizados para conter os episódios de violência registrados durante protestos que atingiram diferentes cidades do país. Na segunda-feira (19), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu que autoridades regionais adotassem restrições pontuais para proteger moradores, estabelecimentos comerciais e patrimônios públicos.
A medida não prevê um toque de recolher em todo o território francês. Segundo Lecornu, as restrições devem se concentrar nas áreas mais afetadas pelos distúrbios. O premiê também afirmou que um estado de emergência poderá ser considerado caso a situação exija, mas avaliou que, neste momento, medidas localizadas são mais adequadas.
Protestos terminam em saques e depredação
As manifestações começaram em setembro, com estudantes do ensino médio que reivindicavam melhorias nas condições das escolas, incluindo questões relacionadas à infraestrutura e à falta de professores. Com o passar das semanas, os atos também passaram a reunir pessoas insatisfeitas com o custo de vida e a qualidade dos serviços públicos.
No último fim de semana, protestos em diversas cidades foram acompanhados por episódios de vandalismo, incêndios, ataques a prédios públicos e saques a estabelecimentos comerciais. Embora parte das manifestações tenha ocorrido pacificamente, grupos envolvidos em atos violentos provocaram danos em diferentes localidades.
O governo francês busca conter os ataques sem impor restrições generalizadas à população. Lecornu afirmou que a proteção das pessoas e dos estabelecimentos comerciais está entre as prioridades das medidas anunciadas.
Mais de 2,4 mil pessoas foram presas
Os distúrbios do fim de semana resultaram em aproximadamente 2,4 mil prisões em todo o país. Segundo informações divulgadas pelas autoridades francesas, quase mil policiais e integrantes da força de segurança ficaram feridos.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu falhas na preparação das forças de segurança para lidar com a dimensão da violência. O presidente Emmanuel Macron rejeitou o pedido de demissão apresentado pelo ministro e solicitou medidas para esclarecer problemas de planejamento e inteligência.
Governo mobiliza investigadores
Além dos toques de recolher, o governo anunciou uma ampla operação judicial para identificar os responsáveis pelos saques e pelas depredações. De acordo com Lecornu, cerca de 200 investigadores seriam mobilizados apenas na região de Paris para analisar imagens, vídeos e outros elementos que possam ajudar a identificar suspeitos.
As autoridades também pretendem reforçar o policiamento e adotar medidas para impedir novos episódios de violência. O governo afirma que a resposta deve responsabilizar os envolvidos nos crimes sem impedir o exercício do direito de manifestação pacífica.
A França enfrenta, assim, o desafio de restabelecer a ordem pública em meio à continuidade das mobilizações, que começaram com reivindicações estudantis e se ampliaram para protestos relacionados às condições econômicas e aos serviços públicos.
Com informações de @globonews
