O ex-sargento-mor do Exército de Ruanda Robert Kabera, de 50 anos, foi encontrado morto e sem a cabeça em Uganda, país vizinho de Ruanda. Conhecido por criticar publicamente o presidente ruandês, Paul Kagame, ele vivia no exílio e havia solicitado proteção por alegar perseguição política. O corpo foi localizado por moradores no sábado (17), nos arredores de Kampala, capital ugandense.
Segundo o porta-voz da polícia de Uganda, Kituuma Rusoke, a cabeça da vítima ainda não havia sido encontrada até esta segunda-feira (19). As autoridades investigam o assassinato, mas não divulgaram informações conclusivas sobre os suspeitos ou a motivação do crime.
Kabera deixou Ruanda em 2020 e buscou asilo em Uganda, alegando temer por sua segurança. Antes de sair do país, ele havia sido acusado de abuso sexual, acusação que negou. O ex-militar afirmava que as acusações tinham motivação política.
Além da carreira militar, Kabera ficou conhecido como músico e criador de conteúdo. Seu canal no YouTube, chamado Major Robert TV, reunia mais de 144 mil inscritos e publicava vídeos com críticas a Kagame e à administração ruandesa.
VIÚVA RELATA TEMOR PELA SEGURANÇA DA FAMÍLIA
Jeanne d’Arc Rwigema Uwizeye, viúva de Kabera, disse à BBC Great Lakes que teme pela segurança dela e dos filhos após o assassinato. Em uma mensagem escrita, afirmou que a família está sem proteção diante da situação.
Segundo familiares, Kabera havia viajado para verificar uma obra em construção localizada a cerca de 45 quilômetros de Kampala antes de ser morto.
O grupo oposicionista Rwanda National Congress (RNC), formado por exilados ruandeses, pediu uma investigação completa e que os responsáveis sejam levados à Justiça. Em publicação na rede social X, a organização questionou a segurança de ruandeses que vivem fora do país.
OUTROS CRÍTICOS DE KAGAME FORAM MORTOS NO EXÍLIO
O assassinato de Kabera reacendeu as preocupações sobre a segurança de opositores ruandeses que vivem no exterior. Em 2014, Patrick Karegeya, ex-chefe da inteligência de Ruanda e um dos fundadores do RNC, foi encontrado morto em um quarto de hotel em Joanesburgo, na África do Sul.
Karegeya havia rompido com Kagame e se tornado um crítico do governo após deixar Ruanda. Em 2019, autoridades sul-africanas emitiram mandados de prisão contra dois ruandeses suspeitos de envolvimento no assassinato.
O governo de Ruanda não havia se pronunciado publicamente sobre a morte de Kabera até a divulgação das primeiras notícias. Até o momento, também não há confirmação de que o crime tenha relação direta com as críticas políticas feitas pelo ex-militar.
