A mobilização de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais reacendeu o debate sobre a influência do deputado federal André Janones na militância petista. No sábado, 17, seguidores atenderam a uma convocação do parlamentar e publicaram imagens vestindo a camisa amarela da Seleção Brasileira, em uma tentativa de resgatar o símbolo nacional em meio à disputa eleitoral.
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, nos últimos anos, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro foram frequentemente associados ao termo “gado” por críticos que apontavam comportamentos coletivos e a repetição de discursos do líder político. Agora, diante da possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer Lula no segundo turno, críticos da militância petista apontam uma contradição na adesão de apoiadores do presidente às orientações de Janones.
O deputado, que mantém forte presença nas redes sociais, é uma das figuras envolvidas na mobilização digital em favor de Lula. Seu grupo de WhatsApp, denominado “Exército de Lula”, é apresentado pelo parlamentar como uma ferramenta de organização de apoiadores. Para os críticos, a dinâmica levanta questionamentos sobre a disposição de parte da militância em seguir suas orientações sem avaliar o histórico de quem as emite.
Acusações e acordo sobre recursos públicos
Janones esteve envolvido em uma investigação sobre suspeitas de rachadinha, após ex-assessores afirmarem à Polícia Federal que eram obrigados a devolver parte de seus salários. Em 2025, o deputado firmou um acordo de não persecução penal com a Procuradoria-Geral da República (PGR), prevendo a devolução de R$ 131 mil aos cofres públicos.
O parlamentar também foi alvo de acusações relacionadas à sua conduta em um relacionamento anterior. O caso envolveu a ex-esposa, Leandra Guedes, ex-prefeita de Ituiutaba, e resultou em uma medida protetiva com base na Lei Maria da Penha, conforme o relato apresentado. As circunstâncias devem ser tratadas com distinção entre acusações, medidas judiciais e eventuais conclusões definitivas.
Mobilização eleitoral e críticas à militância
Além da campanha das camisas amarelas, apoiadores de Lula também foram convocados a bater panelas durante uma entrevista de Flávio Bolsonaro ao Jornal Nacional. As iniciativas fazem parte de uma estratégia de mobilização política nas redes e fora delas, em um cenário de disputa acirrada pela Presidência.
Os críticos da campanha petista veem contradição entre o discurso de combate ao machismo e à corrupção e a adesão às ações de um político que esteve envolvido em controvérsias dessa natureza. Na avaliação desses críticos, o objetivo de derrotar Flávio Bolsonaro estaria se sobrepondo à cobrança de coerência dos próprios aliados.
A campanha de Lula também tem sido criticada por adversários por recorrer a símbolos religiosos, como Nossa Senhora Aparecida, e por mudanças de posicionamento em temas como a redução da maioridade penal. Esses episódios são apontados pela oposição como sinais de adaptação do discurso eleitoral para ampliar o apoio entre diferentes grupos.
Nesse contexto, a atuação de Janones tornou-se mais um ponto de disputa política. Enquanto seus apoiadores veem as mobilizações como uma forma de fortalecer Lula, seus críticos questionam a concentração de influência no deputado e cobram que a militância aplique aos próprios aliados os mesmos critérios éticos que utiliza para atacar adversários.
