A CNN Brasil contestou uma reportagem publicada pelo ICL Notícias neste domingo (18), que afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro teria exigido combinar previamente as perguntas de uma entrevista à emissora. Em resposta, a CNN argumentou que as mensagens citadas na publicação não demonstram que jornalistas tenham recebido pedidos de alteração da pauta ou concordado em antecipar as perguntas.
Segundo a emissora, o ICL enviou questionamentos na noite de sábado (17), menos de 24 horas antes da publicação. As perguntas apresentavam descrições de mensagens privadas, mas não incluíam a íntegra das conversas. A CNN afirma que elaborou sua primeira resposta com base apenas nessas descrições.
Mensagens não comprovam que perguntas foram combinadas
De acordo com a contestação da CNN, as mensagens citadas pelo ICL foram trocadas entre Vorcaro e uma executiva de marketing do Banco Master. Na interpretação da emissora, os diálogos mostram a intenção da executiva de fazer solicitações, mas não comprovam que os pedidos tenham sido encaminhados à equipe jornalística ou atendidos.
A CNN também destacou que não há, nas mensagens apresentadas, registros de conversas entre Vorcaro e jornalistas da emissora sobre a combinação de perguntas.
Outro ponto levantado pela empresa é que Vorcaro teria desistido de participar pessoalmente da entrevista por receio de exposição. Em uma das mensagens reproduzidas na reportagem do ICL, o banqueiro teria escrito: “Tá muita batida em mim”. Em seu lugar, participou o economista Paulo Gala.
A emissora argumenta que o treinamento de mídia realizado com Gala antes da entrevista também não comprova que as perguntas fossem conhecidas antecipadamente. Segundo essa versão, a preparação buscava orientar o porta-voz a responder a questionamentos potencialmente difíceis.
Entrevista abordou riscos e operações do Banco Master
Paulo Gala participou de uma entrevista ao vivo no CNN Money em 3 de abril de 2025. Conforme a contestação da emissora, o economista foi questionado sobre a remuneração oferecida pelos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master, que chegavam a 140% do CDI, e sobre o perfil de risco dos ativos da instituição.
A entrevista também abordou a dependência de uma possível operação com o Banco de Brasília (BRB), a capacidade do Master de honrar seus compromissos e o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como argumento comercial na captação de recursos.
A CNN afirma que a gravação integral da entrevista demonstra que houve questionamentos sobre temas sensíveis para o banco.
Jornalista afirma que conduziu entrevista normalmente
Na resposta divulgada pela emissora, o jornalista responsável pela entrevista afirmou que conduziu a conversa normalmente, sem imposição de pauta, e que desconhecia questões comerciais ou societárias envolvendo o Banco Master.
A CNN acrescentou que os executivos mencionados nas mensagens pertenciam à área comercial e à gestão anterior da empresa, que deixou a emissora em agosto de 2025. Segundo a empresa, nenhum jornalista aparece nas conversas tratando de decisões editoriais.
Emissora nega participação de Vorcaro na empresa
A contestação também aborda mensagens nas quais Vorcaro teria afirmado que estava “entrando na CNN”, que teria assento no conselho e que o novo canal teria conteúdo escolhido pelo banco.
A emissora nega que o banqueiro tenha sido acionista da CNN Brasil ou do CNN Money, integrado seu conselho ou participado de decisões editoriais. Segundo a empresa, o controle da CNN Brasil pertence a Rubens Menin.
A CNN reconhece que existiu uma relação comercial com o Banco Master, que anunciou na emissora e adquiriu uma cota de patrocínio no lançamento do CNN Money, ao lado de outras marcas. A empresa sustenta, porém, que contratos publicitários não representam participação societária nem interferência no conteúdo jornalístico.
A controvérsia envolve, portanto, interpretações distintas sobre as mensagens privadas e o relacionamento entre o banco e a emissora. Para determinar se houve tentativa de interferência editorial e se algum pedido foi efetivamente atendido, é necessário distinguir as intenções relatadas nas conversas dos atos que possam ser comprovados por registros documentais.
