O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou apoiar a realização de eleições livres e justas no Brasil e voltou a defender medidas adotadas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
As declarações constam em uma carta assinada por Katherine Bowles, secretária-assistente do Departamento de Estado americano, em resposta a questionamentos enviados por 30 deputados democratas e pelo senador independente Bernie Sanders sobre a atuação dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026.
“Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo”, afirmou Bowles. O documento também menciona o diálogo mantido pelo governo americano com autoridades e representantes da sociedade civil sobre governança democrática, independência judicial e integridade eleitoral.
Governo americano volta a justificar sanções contra Moraes
Na carta, o Departamento de Estado defendeu as sanções impostas a Alexandre de Moraes em 2025 e retiradas em dezembro do mesmo ano. A justificativa apresentada pela administração Trump é a de que o ministro teria cometido graves violações dos direitos humanos.
Segundo o documento, Moraes teria autorizado prisões preventivas consideradas injustificadas e comprometido a liberdade de expressão. O governo americano também o acusa de promover medidas politicamente motivadas para silenciar críticos por meio de determinações de remoção de contas em plataformas digitais.
As afirmações representam a posição oficial do governo Trump e não constituem, por si só, uma decisão judicial que comprove as acusações.
PCC e Comando Vermelho são citados na resposta
O Departamento de Estado também defendeu a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. De acordo com a carta, a decisão levou em consideração a violência atribuída aos grupos, o número de integrantes, os ataques contra agentes de segurança, autoridades e civis e a atuação de redes criminosas com conexões nos Estados Unidos.
A pasta afirmou que as medidas fazem parte da estratégia americana de combate a organizações criminosas na região e de proteção à segurança nacional.
A classificação dos dois grupos é objeto de controvérsia nas relações entre Washington e Brasília, especialmente em razão das possíveis consequências jurídicas e diplomáticas da medida.
Parlamentares questionaram possível interferência eleitoral
A resposta foi enviada após congressistas americanos cobrarem esclarecimentos sobre medidas adotadas pela administração Trump em relação ao Brasil. Na carta encaminhada anteriormente ao secretário de Estado, Marco Rubio, os parlamentares questionaram se os Estados Unidos respeitariam o processo eleitoral brasileiro e reconheceriam o resultado oficial das urnas, independentemente do candidato eleito.
Embora tenha declarado apoio a eleições livres e justas, a resposta do Departamento de Estado não apresentou um compromisso explícito de reconhecer o resultado das eleições presidenciais brasileiras de 2026. A carta também não esclareceu integralmente todos os questionamentos apresentados pelos congressistas.
Ao final, o governo americano afirmou que pretende manter o diálogo com a população brasileira, o setor privado e o governo eleito para ampliar a cooperação em áreas como segurança, comércio, investimentos e prosperidade econômica.
