Uma parte da apuração sobre os passageiros do avião ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria sido suspensa após surgirem referências a autoridades com foro por prerrogativa de função. A informação foi divulgada na quinta-feira (15) pelo jornalista André Shalders, do portal Metrópoles, que afirmou não revelar mais detalhes para preservar suas fontes.
Segundo Shalders, a apuração envolvia não apenas os passageiros do jato de Vorcaro, mas também o acesso de autoridades ao terminal de aviação privada em Brasília. O jornalista não informou quem determinou a suspensão nem identificou as autoridades mencionadas.
Pedido envolvia período da prisão de Vorcaro
O caso ganhou repercussão após um pedido apresentado com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) para obter dados sobre os voos do Falcon 7X, de prefixo PS-FST, ligado a Vorcaro. A solicitação abrangia o período de 10 a 20 de novembro de 2025, incluindo a data em que o ex-banqueiro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
O Comando da Aeronáutica negou o fornecimento das informações solicitadas, citando a proteção à intimidade e à vida privada prevista na legislação. A resposta mencionou a possibilidade de restrição de acesso a dados pessoais por até 100 anos.
Posteriormente, a Força Aérea Brasileira (FAB) esclareceu que não possui listas nominais de passageiros e que, portanto, não é responsável por impor sigilo a esses registros. Segundo a instituição, os planos de voo processados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo contêm informações operacionais, como a identificação da aeronave, os horários e a quantidade de pessoas a bordo, mas não os nomes dos passageiros.
Identidades não foram divulgadas
A declaração de Shalders relaciona a suspensão de parte da apuração ao aparecimento de autoridades que, segundo o jornalista, não poderiam ser investigadas sem autorização específica. Entretanto, as informações disponíveis não permitem confirmar publicamente quem seriam essas pessoas nem estabelecer todos os detalhes do procedimento suspenso.
A restrição de acesso aos dados da aeronave e a apuração mencionada pelo jornalista são questões relacionadas, mas distintas. Até o momento, a FAB afirma não ter acesso aos nomes dos passageiros, enquanto a declaração de Shalders diz respeito a uma investigação mais ampla sobre os deslocamentos e o acesso ao terminal de aviação privada.
O episódio amplia os questionamentos sobre a circulação de autoridades em ambientes ligados a Vorcaro e sobre os limites de acesso a informações relevantes para investigações de interesse público.
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