Uma van identificada com a marca do Ministério da Educação (MEC) foi flagrada transportando estudantes após eles participarem de uma gravação de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília, na terça-feira (13). O episódio levantou questionamentos sobre o uso de um veículo com identificação de órgão público em uma atividade eleitoral.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, os jovens estavam no comitê da campanha de reeleição de Lula e haviam participado da gravação de um vídeo divulgado pelo presidente nas redes sociais. No material, o petista aparece ao lado de estudantes e anuncia a intenção de criar o programa Pé-de-Meia Universitário.
A reportagem registrou o momento em que o grupo deixou o comitê, por volta das 17h, aguardou na calçada e embarcou na van. Alguns integrantes abordaram os jornalistas ao perceberem que estavam sendo filmados. Uma das participantes afirmou que o grupo era formado por estudantes de escolas e universidades.
Campanha nega vínculo do transporte com o MEC
Questionada sobre o uso de um veículo com identificação ministerial no deslocamento de participantes de uma atividade de campanha, a equipe de Lula afirmou que a van não estava a serviço do Ministério da Educação naquele momento.
Em nota, a campanha declarou que a empresa BS Transportes e Serviços havia sido contratada por Matheus das Neves Almeida Sciotta e Souza para transportar os jovens que participariam de uma atividade eleitoral em Brasília. A assessoria de imprensa do MEC também afirmou que o caso não tinha relação com a pasta.
Antes da saída do grupo, alguns estudantes conversavam sobre a presença de menores de idade e a necessidade de autorização para que eles aparecessem no material de campanha. Por esse motivo, a reportagem desfocou os rostos nas imagens registradas, diante da possibilidade de haver adolescentes entre os participantes.
Lula anuncia promessa de benefício para universitários
Durante o vídeo, Lula afirmou que pretende criar o Pé-de-Meia Universitário em um eventual próximo mandato. Segundo o presidente, o programa prevê pagamentos mensais de R$ 700 durante dez meses e um depósito anual adicional de R$ 2.500.
Lula também declarou que, ao longo de um curso superior de quatro anos, os depósitos anuais de R$ 2.500 totalizariam R$ 10 mil, valor que, segundo ele, poderia ajudar o estudante no início da vida profissional.
A promessa foi apresentada a 12 dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. No primeiro turno, conforme os números citados pela reportagem, Lula obteve 45% dos votos válidos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançou 47%.
No mesmo dia, o presidente também anunciou medidas voltadas a microempreendedores individuais (MEIs), incluindo o perdão de dívidas com o governo federal e um edital do programa Desenrola para a regularização de débitos desse grupo com instituições bancárias.
Até o momento, as informações apresentadas pela reportagem indicam que a campanha atribuiu a contratação do transporte a uma empresa privada e negou que o veículo estivesse sendo utilizado pelo MEC naquele horário. A identificação do veículo, por si só, não comprova uso de recursos públicos ou irregularidade eleitoral.
