Uma proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, descreve um suposto esquema para captar até R$ 10 bilhões de fundos de pensão ligados a empresas estatais e pagar cerca de R$ 1 bilhão em propina. As informações foram divulgadas pela revista Veja, que afirma ter tido acesso ao relato do empresário e a registros relacionados às articulações.
Segundo reportagem publicada nesta terça-feira (13), registros de acesso ao Palácio do Planalto mostram que Vorcaro esteve no local em duas ocasiões acompanhado de Júlio Cezar Miranda Avelino, apontado pelo banqueiro como operador do suposto esquema. As entradas ocorreram em 1º de março e 3 de abril de 2024.
No documento apresentado por Vorcaro, ele afirma ter participado de uma reunião com o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e outros interlocutores. De acordo com o relato, Padilha teria dito que os assuntos tratados com Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta, teriam o mesmo peso daqueles discutidos diretamente com o ministro.
O banqueiro também afirma que Júlio Cezar, Olavo Noleto e um familiar deste teriam apresentado uma condição para facilitar negócios do Banco Master com fundos de pensão, entre eles a Previ, ligada ao Banco do Brasil, a Petros, vinculada à Petrobras, e o Postalis, dos Correios. A suposta exigência seria o pagamento de 10% dos recursos captados, o que poderia chegar a R$ 1 bilhão caso a meta de R$ 10 bilhões fosse alcançada.
Ainda segundo a proposta, Júlio Cezar teria recebido um adiantamento de R$ 500 mil, supostamente por meio de um contrato de fachada. Vorcaro afirma ter reunido conversas, registros de entrada no Planalto, e-mails e comprovantes de pagamentos para sustentar as acusações. A existência desses materiais, porém, não significa que todas as alegações tenham sido comprovadas.
PROPOSTA DE DELAÇÃO FOI REJEITADA
A proposta de colaboração de Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República em junho de 2026. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, os órgãos entenderam que o material apresentado não trazia elementos novos suficientes para justificar o acordo.
Alexandre Padilha negou envolvimento nas acusações relacionadas ao caso e contestou publicamente as informações divulgadas pela revista, classificando a denúncia como uma tentativa de influenciar o processo eleitoral.
Até o momento, as alegações descritas na proposta devem ser tratadas como relatos atribuídos ao banqueiro, e não como fatos definitivamente comprovados pela Justiça.
