O Grupo Globo lidera os repasses de publicidade da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo os dados apresentados no levantamento, a empresa recebeu cerca de R$ 274,4 milhões, valor 228% superior ao registrado nos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL).
Na comparação com outras emissoras, a Record aparece em segundo lugar, com R$ 128,6 milhões, um aumento de 38%. O SBT recebeu R$ 70,9 milhões, queda de 13% em relação ao período anterior. Já a Band contabilizou R$ 42 milhões, alta de 41%.
A RedeTV! recebeu R$ 10,5 milhões, redução de 5%, enquanto a CNN Brasil teve repasses de R$ 4,3 milhões, crescimento de 41%. A TV Cultura registrou R$ 2,7 milhões, aumento de 340% na comparação apresentada.
GLOBO SUPERA SOMA DE OUTRAS EMISSORAS
De acordo com os números do levantamento, os repasses destinados à Globo e às suas afiliadas superam, individualmente, a soma dos valores direcionados às outras nove maiores redes de televisão do país.
Durante o governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022, a Record foi a emissora que mais recebeu recursos publicitários federais, com R$ 93,5 milhões. Naquele período, a Globo ficou na segunda posição desse ranking.
Os valores se referem à publicidade governamental, utilizada para divulgar campanhas institucionais e informações de interesse público. A distribuição dos recursos é feita a partir de planos de mídia elaborados para cada ação de comunicação.
GOVERNO CITA CRITÉRIOS TÉCNICOS PARA DISTRIBUIÇÃO
A Secom estabelece critérios técnicos para a escolha dos veículos que recebem publicidade federal. Entre os fatores previstos nas regras oficiais estão os índices de audiência, a afinidade com o público-alvo, a cobertura geográfica, o perfil das emissoras e os custos de veiculação.
As orientações também recomendam diversificar os investimentos sempre que possível e considerar veículos regionais quando forem adequados aos objetivos da campanha. Os critérios estão previstos nas normas de planejamento de mídia do governo federal.
A publicidade pública pode abranger campanhas de vacinação, ações de saúde, programas sociais, serviços e outras iniciativas de utilidade pública. A distribuição dos recursos, portanto, considera as estratégias e o público que cada campanha pretende alcançar.
REPASSES GERAM DEBATE SOBRE CONCENTRAÇÃO DE VERBAS
O volume destinado ao Grupo Globo também alimenta o debate sobre a concentração dos investimentos publicitários do governo federal. Críticos questionam se a diferença entre os valores recebidos pelas emissoras é proporcional ao alcance de cada veículo e defendem transparência na aplicação dos recursos públicos.
A comparação dos montantes, por si só, não comprova favorecimento político nem relação entre os repasses e a linha editorial das empresas. Para avaliar a distribuição, é necessário considerar também os períodos analisados, as campanhas realizadas, os critérios de audiência, a cobertura de cada veículo e os custos negociados.
Os dados apresentados mostram uma mudança na posição das emissoras em relação ao governo anterior, com a Globo assumindo a liderança dos repasses no terceiro mandato de Lula. A avaliação sobre a adequação dos valores depende, contudo, da análise dos planos de mídia e dos critérios aplicados em cada campanha.
