O juiz federal dos Estados Unidos Alvin Hellerstein negou nesta quinta-feira (8) o pedido da ex-primeira-dama venezuelana Cilia Flores, esposa do ex-presidente Nicolás Maduro, para deixar a prisão e cumprir a detenção em regime domiciliar por causa de problemas cardíacos. A defesa havia solicitado que ela fosse transferida para uma residência na região de Nova York, sob vigilância privada 24 horas por dia.
Cilia Flores, de 69 anos, e Maduro, de 63, estão presos em Nova York desde janeiro, quando foram capturados por forças americanas durante uma operação na residência do casal, em Caracas. Os dois respondem a um processo criminal relacionado a uma suposta conspiração para enviar cocaína aos Estados Unidos e se declararam inocentes das acusações.
Os advogados de Flores argumentaram que ela precisa passar por um procedimento cardíaco e que sua saúde teria se deteriorado durante o período de detenção. Segundo a defesa, ela perdeu cerca de 11 quilos e apresenta sintomas como tontura, falta de ar e episódios de fraqueza. Os advogados também afirmaram que ela poderia realizar o tratamento e se recuperar em uma residência sob monitoramento.
A promotoria se opôs à liberação e afirmou que Flores representaria risco elevado de fuga e poderia oferecer perigo à comunidade, incluindo a possibilidade de interferência com testemunhas. Os procuradores também sustentaram que ela vem recebendo atendimento médico adequado no centro de detenção e já foi levada a um hospital quando necessário.
Na decisão, Hellerstein considerou que as evidências apresentadas contra Flores são fortes e afirmou que, durante a audiência, ela aparentava estar em condições relativamente boas de saúde. Com isso, a ex-primeira-dama permanecerá detida no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn.
O caso ganhou novas acusações nesta quinta-feira. Promotores americanos apresentaram uma denúncia ampliada contra Maduro e Flores, acusando o casal de participar de uma estrutura de repressão e tortura contra opositores políticos e cidadãos americanos na Venezuela. As novas acusações se somam ao processo relacionado ao tráfico de drogas.
Maduro e Flores ainda não apresentaram uma resposta às novas acusações. Eles já haviam se declarado inocentes das acusações originais relacionadas ao tráfico de drogas. O julgamento está previsto para começar em 1º de junho de 2027.
Caso sejam condenados pelas acusações de tráfico de drogas, ambos podem enfrentar penas severas. A defesa, por sua vez, questiona a validade do processo e sustenta que os dois possuem imunidade por terem ocupado posições de liderança no governo venezuelano.