Registros obtidos pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, mostram o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, ao lado do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara dos Deputados, e do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus. O encontro ocorreu em 6 de dezembro de 2024, em um apartamento de Brasília.
Na época, Motta era apontado como um dos favoritos para assumir a presidência da Câmara, enquanto Jhonatan de Jesus estava havia cerca de um ano e meio no TCU. O tribunal possuía processos de interesse de Antunes, que já era alvo de reportagens sobre sua atuação junto a entidades envolvidas nos descontos considerados indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
O evento foi realizado na cobertura do empresário e lobista Charles Capella de Abreu, ex-assessor da Casa Civil durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Segundo a reportagem, a recepção foi organizada para um grupo restrito de convidados. Também estavam presentes os advogados Alberto Moreira e Flávio Schegerin, sócios de Capella.
Nas imagens divulgadas pela coluna, o Careca do INSS aparece conversando com Hugo Motta e Jhonatan de Jesus. Os registros mostram os participantes consumindo vinho e espumante durante o encontro.
Procurado pela coluna, Jhonatan de Jesus afirmou que permaneceu cerca de 20 minutos no local e que não se recorda do teor das conversas. O ministro também declarou que aquele teria sido o primeiro e último contato que manteve com Antunes. Hugo Motta não se manifestou.
Os advogados Alberto Moreira e Flávio Schegerin chegaram a representar Antunes no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga descontos associativos não autorizados em benefícios do INSS. Posteriormente, a defesa foi substituída por outra banca.
A divulgação das imagens ocorre em meio às investigações sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. O registro do encontro, por si só, não indica o teor das conversas nem comprova eventual irregularidade relacionada às autoridades que aparecem nas imagens.
