O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta quinta-feira (8) que pretenda mudar a forma de reajuste das aposentadorias do INSS e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) como forma de reduzir despesas, caso seja eleito. A declaração foi dada após o Podemos oficializar apoio à candidatura no segundo turno.
A manifestação ocorreu após reportagem da Folha de S.Paulo apontar que a equipe econômica da campanha estuda medidas para conter o crescimento das despesas obrigatórias. Entre as propostas apresentadas a empresários e representantes do mercado financeiro estaria a desvinculação dos reajustes da Previdência e do BPC dos ganhos reais concedidos ao salário mínimo. A medida poderia limitar esses benefícios à inflação, caso o salário mínimo tivesse aumento real.
Atualmente, aposentadorias, pensões, auxílios e o BPC vinculados ao salário mínimo acompanham o valor do piso nacional. Quando o salário mínimo recebe aumento acima da inflação, esses benefícios também são reajustados. Já os benefícios do INSS acima do salário mínimo são corrigidos pela inflação.
Ao ser questionado sobre o tema, Flávio afirmou que não pretende reduzir o ganho dos aposentados e disse que manterá reajustes acima da inflação.
“Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo. Não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com o reajuste da aposentadoria. Pelo contrário”, declarou.
Questionado diretamente se se comprometia a garantir reajuste real aos aposentados, como ocorre atualmente para os benefícios vinculados ao salário mínimo, Flávio respondeu que “sim”.
O candidato também afirmou que pretende buscar outras fontes de economia para equilibrar as contas públicas. “O Brasil é riquíssimo. E tem muito de onde tirar. Começar com o combate à corrupção desse governo aí”, disse.
Segundo a Folha, a equipe econômica da campanha trabalha com um pacote de ajuste fiscal que poderia alcançar cerca de 2% do Produto Interno Bruto, aproximadamente R$ 250 bilhões. A proposta em discussão envolveria também mudanças nos pisos constitucionais de saúde e educação.
Apesar das informações divulgadas sobre as discussões internas da equipe econômica, Flávio e integrantes da campanha têm negado que pretendam desvincular os benefícios previdenciários dos ganhos reais do salário mínimo. O plano de governo oficial do candidato, segundo a Folha, não detalha uma mudança específica nessa regra.
