O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não deve abandonar o apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, mesmo diante da possibilidade de o Republicanos mudar sua posição no segundo turno e apoiar Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo integrantes do partido próximos a Motta, o presidente da Câmara pretende manter seu posicionamento individual favorável a Lula. A avaliação, porém, é acompanhada de cautela diante dos possíveis impactos políticos da escolha.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira (07), a direção do Republicanos tem maioria para rever a neutralidade adotada no primeiro turno e declarar apoio a Flávio. A decisão estava prevista para ser anunciada nesta quarta-feira (7), às 18h.
Mesmo com a mudança, o partido não deve fechar questão sobre o apoio, permitindo que os diretórios estaduais e os demais integrantes da legenda adotem posições diferentes no segundo turno.
Bancada do Republicanos é dividida
O Republicanos elegeu 41 deputados federais para a próxima legislatura. Segundo as articulações internas citadas por integrantes da legenda, cerca de 30 parlamentares são ligados à base de Jair Bolsonaro, enquanto entre oito e 11 têm proximidade com o grupo de Lula.
A divisão também aparece entre as lideranças estaduais.
Na Paraíba, aliados de Hugo Motta defendem um rompimento com Lula e afirmam que o presidente teria descumprido acordos políticos com o grupo.
Um dos episódios citados envolve a disputa pelo Senado. Hugo Motta apoiava a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, mas Lula voltou a gravar vídeos em apoio a Veneziano Vital do Rêgo (MDB) na reta final da campanha. Veneziano acabou conquistando a vaga.
Eleição da Câmara entra no cálculo político
Outro fator considerado nas articulações é a disputa pelo comando da Câmara em 2027.
Hugo Motta poderá buscar a reeleição para a Presidência da Casa. Nesse cenário, integrantes do Congresso avaliam que o resultado da eleição presidencial e a composição das bancadas poderão influenciar as alianças necessárias para a disputa.
O PL elegeu 23 deputados a mais e deverá formar a maior bancada da Câmara, com 121 parlamentares. O líder da legenda, Sóstenes Cavalcante (RJ), já manifesta intenção de disputar a Presidência da Câmara no próximo ano.
Com o fortalecimento do PL e a possível mudança de posição de partidos do Centrão, a sucessão na Câmara deverá envolver novas negociações entre as diferentes forças políticas.
Apesar das movimentações partidárias, aliados afirmam que, neste momento, Hugo Motta pretende manter seu apoio a Lula, ainda que o Republicanos possa oficialmente declarar apoio a Flávio Bolsonaro.
