O Brasil está entre os países em que os trabalhadores mais avançaram na adoção de inteligência artificial (IA) no ambiente profissional. Dados do Work Trend Index 2026, da Microsoft, mostram que 27% dos usuários brasileiros de IA são considerados “profissionais de fronteira”, categoria formada por pessoas que utilizam a tecnologia em tarefas complexas e também modificam a maneira como trabalham.
Segundo informações divulgadas pela Veja nesta quarta-feira, o percentual brasileiro está acima da média de 16% registrada entre os dez países analisados pelo levantamento.
A pesquisa ouviu 20 mil trabalhadores que utilizam inteligência artificial em países como Estados Unidos, Japão, Índia, Reino Unido, Alemanha, França e Brasil. Além dos relatos dos participantes, a Microsoft analisou sinais de utilização de suas próprias ferramentas.
Uso avançado vai além dos chatbots
A classificação de “profissional de fronteira” não considera apenas a frequência com que alguém utiliza um chatbot. O grupo reúne trabalhadores que recorrem a agentes de IA para executar tarefas com várias etapas, reorganizam processos e desenvolvem formas de utilização que podem ser reproduzidas por outros integrantes da equipe.
Na prática, o modelo permite transferir para a inteligência artificial parte das atividades operacionais e dedicar mais tempo a funções como análise de informações, tomada de decisões, revisão de resultados e definição de prioridades.
Empresas ainda enfrentam dificuldade para acompanhar
O estudo também identifica uma diferença entre a velocidade com que os trabalhadores incorporam a tecnologia e a capacidade das empresas de adaptar suas estruturas.
Segundo a Microsoft, fatores relacionados à organização — como cultura corporativa, suporte dos gestores e políticas internas — representam 67% da influência sobre o impacto percebido da IA. Características individuais, como comportamento e mentalidade, correspondem a 32%.
Com isso, parte dos profissionais já domina ferramentas mais sofisticadas, mas encontra obstáculos para aplicá-las plenamente devido à falta de processos, regras ou suporte dentro das próprias empresas.
Apenas 19% dos usuários pesquisados estão em um estágio considerado de “fronteira”, no qual tanto as habilidades individuais quanto a preparação da organização estão avançadas. Outros 10% apresentam alto conhecimento sobre IA, mas trabalham em empresas que ainda não estão preparadas para aproveitar esse potencial.
Inteligência artificial amplia capacidade dos trabalhadores
Os dados também indicam mudanças no próprio conteúdo das atividades profissionais. Entre os usuários entrevistados, 58% afirmam que atualmente conseguem produzir trabalhos que não seriam capazes de realizar um ano atrás.
Entre os chamados profissionais de fronteira, esse índice chega a 80%.
Outra análise, baseada em mais de 100 mil interações com o Microsoft 365 Copilot, aponta que 49% das conversas estão relacionadas a atividades cognitivas, como análise de informações, resolução de problemas e avaliação de alternativas.
Os números indicam que a utilização da IA não está restrita à substituição de tarefas repetitivas. A tecnologia também começa a ser empregada em atividades que exigem conhecimento, análise e julgamento, ainda que a responsabilidade pela decisão final permaneça com o trabalhador.
Brasileiros relatam mudanças maiores na rotina
No Brasil, a percepção de transformação provocada pela inteligência artificial também aparece acima da média internacional.
Segundo os dados da Microsoft, 72% dos usuários brasileiros afirmam realizar, por causa da IA, atividades que não faziam um ano atrás. Entre todos os países incluídos na pesquisa, a média é de 58%.
O avanço, porém, aumenta a necessidade de adaptação tanto para trabalhadores quanto para empresas.
Mais do que aprender a utilizar uma ferramenta, o desafio passa a ser incorporá-la de maneira eficiente às rotinas profissionais. Isso envolve reorganizar processos, estabelecer responsabilidades e criar critérios para avaliar os resultados produzidos com auxílio da tecnologia.
Para a Microsoft, empresas que conseguirem avançar nesse cenário serão aquelas que reorganizarem o trabalho em torno da colaboração entre pessoas e sistemas de inteligência artificial, em vez de apenas adicionar novas ferramentas aos processos já existentes.
