Por Júnior Melo
Flávio Bolsonaro venceu o primeiro turno da eleição presidencial e disputa o comando do Palácio do Planalto. Diante desse cenário, o eleitor potiguar também precisa considerar como seria a relação do Rio Grande do Norte com Brasília caso Cadu, candidato do PT e adversário político do grupo de Flávio, fosse eleito governador. Na minha avaliação, essa combinação seria extremamente prejudicial ao Estado.
A preocupação se torna ainda maior diante das dificuldades fiscais enfrentadas pelo atual governo. O RN conviveu com problemas relacionados aos consignados dos servidores, cobranças de municípios e atrasos em repasses, além de episódios envolvendo duodécimos. Cadu, como secretário da Fazenda, ocupou posição central na condução financeira da gestão Fátima Bezerra justamente durante esse período.
É evidente que um eventual governo Flávio teria de cumprir as transferências constitucionais e demais obrigações da União com o RN. Mas a relação entre Brasília e os estados também envolve convênios, financiamentos, grandes obras, investimentos e articulação política. Se o Rio Grande do Norte já enfrentou sérias dificuldades fiscais durante o alinhamento político entre Fátima e Lula, é legítimo questionar como enfrentaria seus problemas tendo governos estadual e federal em campos políticos adversários.
Por isso, considero que Cadu no RN e Flávio no Planalto seria uma combinação desastrosa para o Estado. O próximo governador terá de reorganizar as contas, recuperar capacidade de investimento e construir pontes em Brasília. O RN não pode correr o risco de somar à fragilidade fiscal já existente um ambiente permanente de confronto político com o Governo Federal.
Júnior Melo é jornalista.