Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, afirmou a interlocutores que o visitaram na prisão que não pretende mais permanecer em silêncio e que possui informações que envolveriam autoridades. O relato foi publicado nesta terça-feira (7) pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Zettel está preso há sete meses e, segundo a publicação, teria relatado a pessoas próximas que não vê os filhos desde que foi detido. Ele também teria manifestado a intenção de falar depois de uma tentativa frustrada de negociar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em abril, Zettel teria tentado negociar uma delação, mas a proposta foi rejeitada pela PGR. Na ocasião, seu então advogado, Celso Villardi, chegou a se reunir com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma tentativa de fazer avançar a colaboração. O acordo, porém, não prosperou.
Zettel afirma ter informações sobre autoridades
Segundo a coluna, após a tentativa frustrada de colaboração, Zettel passou a afirmar a interlocutores que teria sido alvo de notícias que, na avaliação dele, tinham o objetivo de constrangê-lo.
Nesse contexto, o empresário teria dito que pretende romper o silêncio e que possui informações relevantes envolvendo autoridades. Até o momento, porém, não foram divulgados os nomes dessas autoridades nem o conteúdo das informações que Zettel afirma possuir.
O caso está relacionado à Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, instituição que era comandada por Daniel Vorcaro. Zettel foi preso no âmbito da investigação e é apontado como operador financeiro do ex-banqueiro.
Igreja administrada por Zettel também é investigada
Além da relação com Vorcaro, Zettel também esteve à frente da Igreja da Lagoinha. A instituição entrou no radar das investigações em razão de movimentações financeiras que, segundo informações divulgadas anteriormente, teriam valores superiores ao faturamento registrado.
A disposição manifestada por Zettel de prestar informações volta a colocar uma eventual colaboração premiada no centro das investigações relacionadas ao Banco Master. Um eventual acordo, no entanto, dependeria de negociação com as autoridades responsáveis pela investigação e, posteriormente, de homologação judicial.
O caso ganhou novas dimensões nas últimas semanas após a divulgação de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O material passou a ser analisado pela Polícia Federal e contém referências a autoridades e pessoas ligadas ao ex-banqueiro. O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que eventuais menções a ministros devem ser apuradas, respeitando o devido processo legal.
Até o momento, não há informação pública de que Zettel tenha apresentado oficialmente uma nova proposta de colaboração premiada ou formalizado perante as autoridades as informações que afirma possuir.
