Informação obtida por nossa reportagem aponta movimentação na cúpula da Força; interpretação sobre motivações políticas e eventual mudança no Alto Comando é atribuída à fonte
Uma fonte ligada ao Exército Brasileiro relatou à reportagem uma movimentação considerada relevante nos bastidores da Força neste período de transição política no país.
Segundo a fonte, o comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, teria articulado a promoção de seu atual chefe de gabinete, general de Divisão Márcio de Souza Nunes Ribeiro, ao posto de general de Exército — quatro estrelas —, o mais elevado da carreira militar em tempos de paz.
Caso a promoção seja oficialmente confirmada, Márcio passará a integrar o grupo de generais de Exército que compõe o núcleo mais elevado da estrutura da Força.
Até a publicação desta reportagem, porém, não foi localizado em fonte oficial consultada o ato confirmando essa promoção específica. Documentos oficiais recentes ainda identificam Márcio de Souza Nunes Ribeiro como general de Divisão e chefe do Gabinete do Comandante do Exército.
Fonte atribui movimentação ao cenário político
A interpretação apresentada pela fonte ouvida pela reportagem é de que a movimentação teria também uma dimensão política e institucional.
Segundo esse relato, setores da cúpula militar já estariam trabalhando com diferentes cenários para uma eventual mudança no comando político do país e, consequentemente, para possíveis alterações na direção do próprio Exército.
A fonte interpreta a eventual ascensão de Márcio ao posto máximo do generalato como uma forma de Tomás Paiva ampliar sua influência dentro do Alto Comando e fortalecer o grupo de oficiais que atualmente ocupa os principais postos da Força.
Essa avaliação, entretanto, representa a interpretação da fonte e não há, até o momento, elemento público que permita afirmar que essa seria a motivação oficial da eventual promoção.
Eventual governo Flávio Bolsonaro poderia mexer na cúpula
A fonte também afirma que integrantes do entorno político de Flávio Bolsonaro discutem como poderia ocorrer uma renovação significativa do Alto Comando caso haja mudança de governo.
Dentro dessa discussão estaria o próprio sistema de promoções dos oficiais-generais.
Segundo a fonte militar, uma alteração na ordem das promoções poderia produzir efeitos relevantes sobre a permanência de oficiais mais antigos na ativa. A legislação militar brasileira realmente estabelece mecanismos de renovação dos quadros, incluindo transferência para a reserva, limites de permanência e quota compulsória.
Não é correto, contudo, afirmar automaticamente que a simples promoção do general de Divisão mais moderno provocaria, por si só, a ida imediata de todos os generais de Exército atuais para a reserva. Uma eventual mudança dessa magnitude dependeria das regras legais de promoção, antiguidade, vagas, escolha presidencial e transferência para a reserva.
Percepção política é contestável
Outro ponto relatado pela fonte é a percepção existente em setores ligados à oposição de que os atuais integrantes do primeiro escalão do Exército seriam politicamente próximos ou institucionalmente alinhados ao governo Lula.
Essa classificação deve ser entendida como uma avaliação política desses setores, e não como posição oficialmente assumida pelos generais.
As Forças Armadas são instituições permanentes do Estado e, formalmente, seus integrantes da ativa não constituem um bloco partidário.
O episódio ganha importância justamente porque uma eventual troca de governo pode abrir uma discussão mais ampla sobre a composição da cúpula militar e sobre quem ocupará o Comando do Exército.
A reportagem acompanha a publicação dos atos oficiais de promoção para confirmar se Márcio de Souza Nunes Ribeiro efetivamente foi elevado ao posto de general de Exército e quais serão as consequências da mudança na composição do Alto Comando.