O Partido Liberal (PL) deverá buscar a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal a partir de 2027, segundo avaliação do cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice. A análise foi feita ao programa WW Especial, da CNN Brasil, após o resultado das eleições de 2026.
O partido terá a maior bancada nas duas Casas. Na Câmara, foram eleitos 121 deputados, enquanto no Senado o PL elegeu 19 senadores e deverá chegar a 28 integrantes na próxima legislatura.
Para Aragão, o desempenho eleitoral dá ao PL argumentos para reivindicar os dois comandos, mas a conquista das presidências dependerá de negociações com outras legendas. Segundo o cientista político, a tendência é que o partido busque alianças com siglas de centro para construir maioria.
Três temas podem influenciar articulações
Aragão apontou ainda três questões que deverão pesar nas negociações para a escolha dos próximos presidentes da Câmara e do Senado: os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a discussão sobre anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e as investigações sobre emendas parlamentares ao Orçamento da União.
Na avaliação do cientista político, os parlamentares interessados no comando das Casas precisarão considerar suas posições sobre esses assuntos e o relacionamento que pretendem manter com o Supremo.
Aragão também destacou as investigações conduzidas pelo ministro Flávio Dino sobre as emendas parlamentares. Segundo ele, o envolvimento de dezenas de parlamentares nas apurações pode ampliar as tensões entre o Congresso e o STF.
Maior bancada não garante presidência
Apesar da força conquistada nas urnas, Aragão afirmou que o tamanho das bancadas e o desempenho eleitoral não serão suficientes, por si só, para definir quem comandará as duas Casas.
As eleições para as presidências da Câmara e do Senado ocorrerão no início da nova legislatura, em fevereiro de 2027. Até lá, os partidos deverão negociar apoio, composição das Mesas Diretoras e posições sobre temas de interesse do Congresso.
O cenário também será influenciado pela nova correlação de forças no Legislativo. Além de liderar a Câmara, o PL terá a maior bancada do Senado desde o início de uma legislatura após a Constituição de 1988, caso a composição prevista se confirme na posse.
Para Aragão, portanto, a disputa pelas presidências não será definida apenas pelo resultado das urnas, mas por uma série de articulações políticas envolvendo o STF, a anistia e as investigações sobre emendas parlamentares.
