O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o vereador Senival Pereira de Moura (PT) e outras 20 pessoas por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC)por meio de empresas de transporte público.
A investigação aponta Senival como suposto líder oculto da Transunião, empresa que opera linhas de ônibus na capital paulista. O vereador foi preso em 25 de junho durante a Operação Última Parada, mas deixou a prisão no início de agosto após a concessão de habeas corpus e responde ao processo em liberdade.
Investigação aponta papel de comando
Segundo os elementos reunidos pelo MPSP e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Senival ocuparia uma posição de comando no esquema investigado.
Mensagens obtidas durante a apuração indicariam que decisões relacionadas à empresa e determinados repasses financeiros dependeriam da autorização do vereador. Nos diálogos, ele seria identificado por expressões como “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador”.
Planilhas analisadas pelos investigadores também apontariam Senival como beneficiário real de pelo menos 13 ônibusregistrados em nome de terceiros ou da própria Transunião. Documentos ainda teriam relacionado os CPFs do parlamentar e de familiares aos ativos.
A investigação afirma ainda que o vereador movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, dos quais cerca de R$ 2,47 milhões não teriam origem declarada. Os investigadores também apontaram patrimônio imobiliário que consideraram incompatível com a remuneração oficial do cargo.
Outros investigados
Entre os outros denunciados estão:
- Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão” — apontado pela investigação como articulador da lavagem de dinheiro e suspeito de envolvimento no homicídio de Adauto Soares Jorge;
- Leonel Moreira Martins — apontado como operador financeiro e elo com o núcleo familiar beneficiário;
- Lourival de França Monário — diretor-presidente formal da Transunião, citado por movimentações financeiras consideradas incompatíveis pelos investigadores;
- Devanil de Souza Nascimento, o “Sapo” — apontado como operador e integrante do grupo de apoio a Senival.
O caso também envolve a morte de Adauto Soares Jorge, então presidente formal da Transunião, assassinado em 2020. Segundo a investigação, integrantes do PCC teriam suspeitado que ele desviava valores em benefício de Senival. Essa versão consta dos elementos investigativos e ainda será submetida à apreciação da Justiça.
Defesa nega ligação com o PCC
A defesa de Senival Moura afirma que o vereador é inocente e nega qualquer vínculo com o PCC ou participação em lavagem de dinheiro.
Em nota divulgada pelo advogado Márcio Sayeg, o parlamentar afirmou que jamais integrou organização criminosa e que nunca participou de qualquer esquema destinado a ocultar recursos de origem ilícita.
A defesa acrescentou que Senival continua colaborando com as investigações e que espera que uma análise técnica das provas permita esclarecer os fatos.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça. Portanto, as acusações contra os denunciados não representam condenação definitiva.
