O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (1º) que conversou três vezes com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, durante a crise interna provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master. Segundo Lula, ele cobrou do ministro uma atuação para evitar que integrantes da Corte continuassem em conflito público.
Em entrevista ao Flow Podcast, Lula disse ter pedido a Fachin que assumisse a responsabilidade pela condução da situação.
“Conversei com Fachin três vezes nesse processo todo. Disse que ele não pode deixar a Suprema Corte ficar se digladiando entre ela. Assuma a responsabilidade como presidente e tome conta disso”, afirmou.
O presidente também declarou que não procura ministros do STF para pedir decisões favoráveis a ele ou ao governo. Segundo Lula, sua preocupação seria com a imparcialidade na condução dos casos.
“Nunca liguei para ninguém para pedir nenhum favor e não ligo. O meu papel é não cometer erro”, disse. “Eu não quero que tomem atitude do meu lado. Só quero que seja justo”, acrescentou.
Lula afirmou ainda que, na avaliação dele, a crise envolvendo os ministros pode afetar a imagem do Supremo perante a sociedade. A declaração ocorre em meio às divergências entre integrantes da Corte sobre a forma de condução das investigações relacionadas ao Banco Master.
Mudanças na escolha de ministros
Durante a entrevista, Lula voltou a defender mudanças no processo de escolha dos ministros do STF. O presidente disse ser favorável à criação de um conselho formado por representantes da sociedade civil para participar da seleção dos nomes indicados à Corte.
A proposta se soma à defesa que Lula já havia feito de mudanças no modelo de escolha e permanência dos ministros do Supremo.
Crise no caso Banco Master
A crise mencionada por Lula envolve informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que deram origem a investigações e a divergências entre ministros do STF sobre a tramitação e a apuração dos fatos.
Fachin, que assumiu a presidência do Supremo em 2025, passou a conduzir os desdobramentos institucionais do caso. Paralelamente, outros ministros adotaram posições diferentes sobre medidas relacionadas às informações envolvendo Vorcaro e pessoas ligadas ao banco.
Na mesma entrevista, Lula também comentou outros aspectos do caso Master e defendeu que eventuais suspeitas envolvendo autoridades sejam apuradas. O presidente afirmou que sua posição não é pedir decisões favoráveis ao governo, mas garantir que os fatos sejam investigados e que as decisões sejam tomadas de forma justa.