Prefeitos de partidos que integram a coligação de Fernando Haddad (PT) têm mantido baixa exposição ao candidato nas redes sociais durante a campanha ao governo de São Paulo. Em vez de divulgar a disputa estadual, os gestores têm concentrado as publicações em ações e demandas dos próprios municípios.
Levantamento citado pela Folha de S.Paulo aponta que 15 dos 18 prefeitos eleitos por PT, PSB e PDT no estado não declararam publicamente apoio a Haddad nas redes sociais nem divulgaram materiais com o número ou a identidade visual do candidato desde o início da campanha.
Entre os casos observados estão prefeitos que seguem concentrados em pautas municipais. A prefeita de Barrinha, Lúcia Do Katiá, eleita pelo PSB, publicou conteúdos relacionados ao Dia do Hambúrguer nas escolas. Já o prefeito de Pereira Barreto, Dr. Hermínio, também do PSB, tem utilizado as redes para tratar de uniformes esportivos de uma equipe de futebol local.
Em Cotia, o prefeito Welington Formiga (PDT) afirmou à Folha que acompanha o cenário eleitoral, mas tem priorizado a administração municipal e o atendimento às demandas da cidade. Segundo ele, não foi estabelecido compromisso de participação em atividades da campanha de Haddad e eventuais convites serão avaliados conforme sua agenda.
Há ainda prefeitos de partidos da coligação que manifestam apoio a candidatos a deputado estadual ou federal, mas não fazem referência à disputa pelo governo paulista. Entre eles estão Eduardo Piazzalunga, de Mirante do Paranapanema, e Araldo Todesco, de Tapiraí, ambos eleitos pelo PSB.
Apoio a Tarcísio
Também existem casos de prefeitos de partidos da coligação de Haddad que declararam apoio ao atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nesta semana, a prefeita de Guaiçara, Flavia Do Baiano Bittencourt, eleita pelo PSB, publicou uma mensagem de apoio a Tarcísio, acompanhada do número utilizado pelo candidato à reeleição.
À Folha, a prefeitura justificou a decisão afirmando que Márcio França, do PSB, não foi escolhido para disputar o governo paulista nem o Senado como protagonista. Segundo a administração municipal, por isso houve a opção de apoiar Tarcísio, que teria feito “gestos” e contribuído com a gestão.
O cenário ocorre em um estado onde o PT nunca elegeu um governador e no qual a maioria das prefeituras é comandada por partidos de centro e de direita.
Campanha afirma ter apoio de prefeitos
A campanha de Haddad contesta a interpretação de que a baixa presença dos prefeitos nas redes represente falta de apoio ao candidato.
Em nota, a equipe afirma que o petista tem percorrido o estado e se reunido com prefeitos, vice-prefeitos e lideranças políticas. Segundo a campanha, Haddad já teria se encontrado com cerca de 130 prefeitos, incluindo integrantes de partidos que atualmente fazem parte da base política de Tarcísio.
A equipe cita encontros em cidades como São Paulo, Cedral, Avaré, Catanduva, Iguape, Jales, Jaú, Rio Claro e Andradina. A campanha afirma ainda que alguns prefeitos optaram por não tornar público o apoio por receio de possíveis retaliações.
“Transformar a ausência de manifestações públicas em prova de falta de apoio não corresponde ao que vem acontecendo no estado”, afirmou a equipe do candidato.
Na campanha, Haddad visitou Mauá e Matão, municípios administrados por prefeitos do PT que, segundo o levantamento, manifestam apoio ao candidato nas redes sociais. A equipe também citou atos com os prefeitos de Lucianópolis e Santa Lúcia, ambos do PT, além de encontros com vice-prefeitos de PT, PSB e PDT de outras cidades.
O levantamento sobre as redes sociais, portanto, retrata a ausência ou presença de manifestações públicas dos prefeitos, enquanto a campanha de Haddad afirma que mantém articulações políticas que não necessariamente são divulgadas pelos gestores.
