O Brasil atua nas negociações de uma resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre a crise na Nicarágua. O governo brasileiro tenta retirar do texto trechos que mencionam possíveis ameaças à segurança do continente e que, na avaliação de diplomatas, poderiam ser usados como justificativa para ações coercitivas contra o país.
A proposta é apoiada por Estados Unidos, Peru e Colômbia e cita a presença de pessoal e estruturas de segurança de países de fora do hemisfério na Nicarágua. O texto também pede que o governo de Daniel Ortega retire essas estruturas e encerre acordos de segurança considerados uma ameaça à paz regional.
O Brasil concorda com pontos que cobram a libertação de presos políticos, a restituição da nacionalidade de opositores e a retomada das liberdades de expressão, associação, religião e reunião. A diplomacia brasileira, porém, defende mudanças na parte relacionada à segurança e propõe a criação de um grupo formado por ex-presidentes e ex-chanceleres para acompanhar a situação.
A OEA convocou uma reunião de consulta de ministros das Relações Exteriores para sexta-feira (2), em Washington, para discutir a situação da Nicarágua e possíveis medidas, de acordo com a Carta da organização e o direito internacional. O Brasil será representado pelo embaixador Benoni Belli.
A reunião foi convocada após o agravamento da crise política no país, que deixou a OEA em 2023. A organização afirma que os acontecimentos recentes constituem uma questão urgente de interesse comum dos países americanos.
