Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram que ele teria determinado a manutenção de um pagamento mensal de R$ 100 mil relacionado ao economista Carlos Costa, atual candidato a vice-governador de Pernambuco na chapa de João Campos (PSB). O conteúdo foi divulgado pela revista VEJA nesta quarta-feira (30) e integra material de investigação da Polícia Federal sobre o caso Banco Master.
A conversa teria ocorrido em fevereiro de 2025 entre Vorcaro e o advogado Luiz Rennó. Na troca de mensagens, Rennó questionou se deveria manter o contrato de R$ 100 mil mensais com a RI Consulting, empresa da qual Carlos Costa era sócio e administrador.
O advogado explicou que o serviço envolvia o acompanhamento de projetos de lei e legislação. Em seguida, mencionou a ligação de Carlos com o então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, irmão do empresário.
Ao ser questionado sobre a manutenção do pagamento, Vorcaro respondeu: “Ah, sim. Pode cortar não”, indicando que o contrato deveria continuar.
Relação com o Banco Master
A RI Consulting tinha entre seus sócios Silvio Costa e Carlos Costa. Em alteração societária registrada em 2023, Carlos passou a deter 90% das quotas e assumiu a administração da empresa. Ele deixou a sociedade em março de 2026, antes de integrar oficialmente a chapa de João Campos.
Segundo informações obtidas no curso das investigações, a empresa recebeu pagamentos do Banco Master. Levantamento citado pelo Bastidor.pe identificou 20 notas fiscais de R$ 100 mil, emitidas entre março de 2024 e outubro de 2025, totalizando R$ 2 milhões.
A própria RI Consulting confirmou a existência do contrato e afirmou que os serviços estavam relacionados ao acompanhamento da reforma tributária e de outros projetos de lei em tramitação no Congresso, nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais.
A empresa declarou ainda que enviava relatórios mensais sobre os serviços prestados e que o contrato já foi encerrado. Também negou ter participado de reuniões com o Banco Central, o BRB ou outras instituições mencionadas nas investigações.
Conversas sobre articulações em Brasília
A discussão sobre o pagamento ocorreu no mesmo período em que Vorcaro e Rennó conversavam sobre contatos políticos em Brasília.
Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou: “Tô em Brasília. Com Davi e Hugo”, em referência aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Rennó perguntou se Vorcaro também tinha bom trânsito com Motta. O banqueiro respondeu: “Pensa numa encaixada que demos aqui. Transito bem? kkkk”.
As mensagens fazem parte de um conjunto maior de conversas extraídas de aparelhos de Vorcaro e analisadas pela Polícia Federal no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master.
Relação com João Campos
Carlos Costa passou a integrar a chapa de João Campos como candidato a vice-governador de Pernambuco em 2026. A relação documentada nas informações divulgadas, porém, é entre a RI Consulting e o Banco Master, em período anterior à formação da chapa.
Até o momento, não há evidência pública de que João Campos tenha recebido recursos do Banco Master, mantido contrato com o banco ou participado das negociações entre a instituição e a consultoria. A campanha do candidato informou à VEJA que não se manifestaria sobre o caso e que o assunto deveria ser tratado pelo candidato a vice.
As mensagens também não comprovam, por si só, que os pagamentos de R$ 100 mil tenham tido finalidade ilícita. A investigação busca esclarecer o fluxo de recursos do Banco Master e as relações mantidas por Vorcaro com empresários, consultores e agentes políticos.
