Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram que o banqueiro discutiu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a atuação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em agosto de 2025.
Em uma conversa de 15 de agosto, Vorcaro encaminhou a Motta uma imagem da agenda de Galípolo. Naquele dia, o presidente do Banco Central tinha reuniões previstas com André Esteves, do BTG Pactual, e Joesley Batista, da J&F. O conteúdo indica que Vorcaro estava incomodado com os encontros do chefe do BC com pessoas que considerava seus desafetos.
Após receber a mensagem, Motta respondeu: “Luta meu irmão”. Na sequência, Vorcaro encaminhou uma reportagem sobre as discussões em torno do futuro do Banco Central.
Naquele período, o Congresso discutia uma proposta relacionada à autonomia financeira do Banco Central. O relator da matéria no Senado, Plínio Valério (PSDB-AM), havia apresentado seu relatório.
Vorcaro então escreveu a Motta: “Temos que pegar por aqui”. Em seguida, o presidente da Câmara respondeu apenas: “verdade”. As mensagens sugerem que os dois discutiam a possibilidade de utilizar a tramitação da proposta como uma frente de pressão sobre o Banco Central, embora o conteúdo, isoladamente, não permita concluir que tenha havido uma atuação irregular de Motta em favor do banqueiro.
O contexto da conversa é relevante porque, em agosto de 2025, o Banco Master estava em negociações para ser adquirido pelo BRB, operação que dependia da aprovação do Banco Central. A instituição impôs exigências ao Master durante a análise do negócio, inclusive relacionadas à capitalização do banco.
Outras mensagens já reveladas pela investigação mostram que Vorcaro e Motta mantinham contato frequente e tratavam-se como “irmão”. Os diálogos também registram encontros pessoais, pedidos de ingressos para camarote, utilização de helicóptero e conversas sobre autoridades do governo e do Congresso. Segundo o SBT News, os dois fizeram ao menos 15 ligações durante agosto e setembro de 2025.
As novas mensagens passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pela Polícia Federal nas investigações envolvendo o Banco Master. Os diálogos, por si só, não comprovam a prática de crime por Hugo Motta nem demonstram que a proposta de autonomia financeira do Banco Central tenha sido alterada para beneficiar Vorcaro. O conteúdo revela, porém, que o banqueiro discutia com o presidente da Câmara sua insatisfação com a atuação de Galípolo e apontava a proposta em tramitação no Congresso como uma possível frente de atuação.
