Durante um ato de campanha em Belém, no Pará, nesta segunda-feira (28), a primeira-dama Janja Lula da Silva criticou pessoas que, segundo ela, se apresentam como representantes de Deus e exploram a fé da população. Na mesma agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão.
“Se dizem enviados de Deus, mas vivem às custas da fé das pessoas. Fé é coisa séria e deve ser respeitada, qualquer que seja a sua religião”, afirmou Janja durante o evento. Ela também pediu proteção contra o que chamou de “falsos adoradores de Deus” e “falsos profetas da fé”.
Na sequência, Lula afirmou que ninguém deveria desrespeitar Nossa Senhora Aparecida e defendeu o respeito a diferentes religiões, incluindo as de matriz africana. Em seguida, direcionou críticas à Igreja Batista da Lagoinha e a André Valadão, citando a relação do pastor com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
“A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro”, declarou Lula. Relatórios do Coaf apontaram repasses para uma unidade da igreja relacionados a pessoas investigadas no caso Banco Master, enquanto a denominação afirma que suas unidades possuem autonomia financeira.
As declarações ocorreram em meio à disputa política envolvendo religião e às eleições de 2026. Nos últimos dias, circulou nas redes sociais a informação de que Flávio Bolsonaro (PL) pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O senador negou a intenção, e o TSE determinou a retirada de publicações que apresentavam a informação como verdadeira; posteriormente, uma decisão do ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu os efeitos da determinação.
No programa Meio-Dia em Brasília, o comentarista Ricardo Kertzman abordou as declarações e questionou o uso de referências religiosas no discurso político durante o período eleitoral. Kertzman também apontou uma suposta contradição entre manifestações anteriores de integrantes do campo político de Lula que já associaram o presidente à ideia de “ungido de Deus” e as críticas atuais à exploração política da fé.
A discussão ocorre em um cenário no qual religião e política passaram a ocupar espaço importante no debate eleitoral. As falas de Lula e Janja em Belém foram feitas diante de apoiadores e integraram uma agenda de campanha do presidente no Pará.