A SpaceX se prepara para dar nesta segunda-feira (28) um dos passos mais importantes desde a criação da Starlink. A empresa de Elon Musk pretende colocar em órbita 26 satélites Starlink V3, a nova geração desenvolvida para ampliar drasticamente a capacidade da rede mundial de internet via satélite.
O lançamento está previsto para ocorrer a partir da Starbase, no Texas, durante o 14º voo do Starship. A própria SpaceX informa que a janela de lançamento está prevista para esta segunda-feira, embora a missão permaneça sujeita às condições técnicas e autorizações necessárias. 
Satélite V3 chega a 1 Tbps
Os números divulgados oficialmente pela Starlink mostram o tamanho do salto tecnológico. Cada V3 foi projetado para oferecer 1 Tbps de capacidade de downlink, aproximadamente 10 vezes mais que o Starlink V2. No uplink, serão 160 Gbps, cerca de 22 vezes a capacidade da geração anterior. 
Os novos equipamentos também passam a suportar 2.048 feixes de comunicação, contra 192 de downlink e 144 de uplink nos V2. Segundo a Starlink, novos chips permitem ainda um aumento de aproximadamente 64 vezes na capacidade de processamento de dados por chip de modem. 
Cada V3 terá ainda seis lasers espaciais de 400 Gbps, permitindo que os satélites transmitam grandes volumes de informação entre si por meio da rede óptica da constelação.
Starship torna possível colocar os gigantes no espaço
O tamanho e a capacidade dos V3 estão diretamente ligados ao Starship. Elon Musk destacou que os novos equipamentos foram concebidos para aproveitar a enorme capacidade de carga do foguete.
A própria Starlink afirma que, combinando os V3 com o Starship, será possível acrescentar à constelação cerca de 20 vezes mais capacidade por lançamento do que atualmente é adicionada por uma missão do Falcon 9 transportando satélites V2. 
Isso ajuda a explicar por que o Starship é considerado peça fundamental na próxima fase da Starlink: em vez de simplesmente aumentar o número de satélites, a SpaceX pretende multiplicar a quantidade de dados que cada lançamento consegue colocar à disposição da rede.
26 satélites operacionais nesta segunda
A missão desta segunda-feira prevê a colocação de 26 Starlink V3 em órbita. Será um avanço em relação ao teste realizado em julho, quando o 13º voo do Starship chegou a liberar unidades V3, mas em trajetória suborbital, destinadas a testes e posterior reentrada na atmosfera. 
Agora, o objetivo é diferente: os 26 equipamentos deverão efetivamente permanecer em órbita e integrar a constelação. A missão também deverá representar a primeira tentativa do Starship de entrar plenamente em órbita terrestre, depois de 13 voos realizados em trajetórias deliberadamente suborbitais. 
Starlink prepara próxima revolução
A tecnologia desenvolvida para os V3 vai além da internet residencial. Segundo a Starlink, ela servirá de base para os futuros satélites Starlink Mobile Gen 2, projetados para entregar velocidades comparáveis ao LTE diretamente a celulares comuns, sem necessidade de modificações no aparelho. 
Caso a missão desta segunda-feira seja bem-sucedida, SpaceX e Starlink terão, portanto, dois marcos simultâneos: a estreia operacional da nova geração de satélites e um passo decisivo para transformar o Starship no principal veículo de expansão da maior constelação comercial de satélites do planeta.